
Remadores de Caxias do Sul homenageiam Romaria de Caravaggio
Remadores de Caxias do Sul (RS) homenageiam Romaria de Caravaggio em travessia inédita pelas águas da ... leia mais

Todo clube de canoa havaiana tem. Não adianta negar. Não é lenda urbana nem teoria da conspiração: existe sempre aquele iluminado que torce contra você. Sorri pouco, bate palma com atraso e comemora em silêncio quando algo dá errado. E quer saber? Ainda bem.
Tem gente que vai ver seu post no Instagram — você remando, ganhando medalha, se superando, equipe alinhada — e vai achar lindo. Lindo mesmo. Mas não vai curtir nem comentar. Não porque não gostou — gostou até demais. Mas, na cabeça dela, curtir ou comentar seria admitir que você está vivendo algo especial. E isso, para ela, seria inflar seu “ego”, sua “popularidade”, seu “momentinho”. Deus me livre.
Tem gente que lê seus textos, mensagens e comentários no grupo do WhatsApp com atenção total. Lê tudo, às vezes duas vezes, salva, compartilha em outro grupo e ainda usa como referência. Mas não comenta nada. Zero. Silêncio absoluto. Porque comentar seria elogiar sua inteligência. E elogiar você? Jamais. Melhor fingir que nem viu — embora tenha visto tudo.
Tem gente que não suporta sua felicidade. Nem sua evolução. Muito menos suas conquistas. A sua alegria incomoda porque escancara algo simples e cruel: ela não está onde gostaria de estar. E, claro, isso não é problema seu… mas vira.
Tem gente que não te ajuda, nunca ajudou e não vai ajudar, mas também não suporta ficar sem notícias da sua vida. Quer saber se você caiu, se errou, se fracassou; quer detalhes, bastidores, o boletim marítimo completo do seu naufrágio — mesmo que ele nunca aconteça.
E aí vem a parte que dói… e ensina. Essas pessoas são necessárias.
São necessárias porque têm um poder mágico: o poder de nos ensinar exatamente como não deveríamos ser. Elas nos mostram, na prática, o que a inveja faz, como o ego pequeno funciona e como a mediocridade se protege atacando em silêncio. São aulas vivas. Gratuitas. Diárias.
Elas também fazem algo ainda mais poderoso: nos obrigam a acreditar mais em nós mesmos.
Porque quando o aplauso não vem, você aprende a remar sem plateia.
Quando o incentivo some, você descobre disciplina.
Quando a empatia falta, você desenvolve propósito.
E isso, meu amigo, minha amiga, é tão importante quanto saber quem está do seu lado.
A torcida contra te dá um casco grosso.
Te dá foco.
Te tira a necessidade de aprovação.
Te ensina a remar por você — e não por likes, palmas ou tapinhas nas costas.
Então acostume-se.
Não brigue.
Não explique.
Não implore compreensão e atenção.
Sorria, ajuste o leme, entre na água e reme forte.
Porque enquanto alguns torcem contra, você está evoluindo rápido!