Leash: o elo que separa o remador do náufrago

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leash canoa havaiana
O leash na canoa é tão essencial quanto o cinto de segurança no carro. Você pode dirigir mil vezes sem precisar dele, até o dia em que vai agradecer por ter colocado. Foto: MetaLeash / Reprodução

O mar é bonito, sim. Mas também é imprevisível. E quem rema sabe que ele não perdoa descuido. No universo da canoa havaiana, onde a natureza dita as regras, segurança não deveria ser um detalhe. Mesmo assim, um dos equipamentos mais simples e importantes continua sendo tratado como algo opcional: o leash, aquele cabo discreto que conecta o remador à sua canoa individual. Um equipamento muito comum entre surfistas justamente por sua efetividade na segurança aquática.

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Parece pouco, mas é o elo entre a vida e o risco. Quando a canoa vira — e mais cedo ou mais tarde, ela vai virar — o leash é o que garante que o remador permaneça ligado à embarcação. Sem ele, bastam alguns segundos de vento e correnteza para a canoa se afastar e o remador ficar à deriva, assistindo sua segurança ir embora com as ondas. Quem já viu uma canoa sendo levada pelo vento sabe: é impossível alcançá-la nadando.

Há casos conhecidos, inclusive fatais, que poderiam ter sido evitados com o simples uso do leash. E ainda assim, algumas Federações insistem em não exigir o equipamento. É uma incoerência difícil de engolir. O colete é obrigatório — e deve ser —, mas o leash, que impede a separação entre remador e canoa, continua fora das regras em boa parte das competições. De que adianta flutuar de colete se a sua canoa, seu ponto de apoio e visibilidade, está a cem metros de distância?

O leash é tão essencial quanto o cinto de segurança no carro. Você pode dirigir mil vezes sem precisar dele, até o dia em que vai agradecer por ter colocado. É o tipo de equipamento que parece exagero até o momento em que se torna indispensável. Surfistas e praticantes de SUP entenderam isso há muito tempo. Nenhum deles entra no mar sem estar conectado à prancha. A canoa havaiana compartilha o mesmo ambiente, os mesmos ventos, as mesmas correntes — e os mesmos riscos.

O argumento de que “o mar está calmo” ou “conheço bem o local” não se sustenta. O mar muda em minutos. A segurança verdadeira está na prevenção, não na confiança cega. E o mais irônico é que o leash não pesa, não incomoda, não interfere no desempenho e custa menos que um almoço. Então por que tanta resistência?

A resposta, talvez, esteja na cultura do improviso, do “sempre foi assim”. Mas o esporte cresce, evolui, e com ele deve crescer também a consciência de segurança. Respeitar o mar é entender seus riscos. Respeitar a vida é minimizar esses riscos com o que está ao nosso alcance. E o leash está — bem ali, pendurado, esperando ser usado.

Colocar o leash é um ato de responsabilidade. Um gesto pequeno que pode evitar tragédias grandes. É o tipo de cuidado que não deveria depender de regra ou fiscalização, mas de bom senso. O mar não dá segunda chance. Ele ensina, sim, mas cobra caro pelas lições.

Quem rema com sabedoria entende: a canoa é extensão do corpo, e o leash é o fio que mantém essa união intacta. É o elo entre tradição e prudência, entre o respeito e a sobrevivência. Pode parecer apenas um cabo, mas é muito mais do que isso — é a linha invisível que separa a aventura da imprudência. E quem rema de verdade, rema com ele.

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