
Assita à entrevista com Felipe Neuman, um dos pioneiros da va’a no Brasil
Programa Aloha Spirit TV exibiu uma entrevista exclusiva com o renomado remador e pioneiro da va'a, ... leia mais

A comunidade esportiva brasileira foi surpreendida na manhã desta quinta-feira (08) com a notícia de um grave acidente envolvendo a remadora Rie Luciana Nagasako. A atleta e fundadora do clube Barra Va’a sofreu uma queda no mar enquanto ministrava uma aula no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e encontra-se internada em estado grave, porém estável.
O incidente ocorreu por volta das 6h50, durante uma rotineira aula de canoa havaiana liderada por Rie. A atleta estava sentada no casco da embarcação, logo atrás do banco 6, posição conhecida no esporte como “castelinho”, quando perdeu o equilíbrio e caiu na água.
Segundo informações preliminares, Rie estava aparentemente sem colete salva-vidas no momento da queda. A forte correnteza do canal a arrastou rapidamente para o mar aberto, impedindo que ela conseguisse retornar à canoa, mesmo assim, enquanto era puxada, orientou seus alunos a retornarem para a praia, evitando que a embarcação também fosse deslocada para a área de risco. O Quebra-Mar é uma área amplamente conhecida por exigir atenção redobrada dos navegantes, devido à variação abrupta das condições do mar, força das marés e presença de pedras.
O resgate foi realizado de forma rápida pelo Corpo de Bombeiros, mas a atleta foi retirada da água já desacordada, após ter ingerido uma grande quantidade de água. Ela recebeu os primeiros socorros de emergência ainda no local antes de ser transferida para o hospital.
As informações mais recentes sobre o estado de saúde de Rie, repassadas por pessoas próximas que acompanham o atendimento médico, indicam que o quadro é grave e requer cuidados intensivos, sendo as próximas 24 a 48 horas consideradas decisivas pela equipe médica.
Devido ao grande volume de água aspirado, a atleta desenvolveu uma pneumonite (processo inflamatório nos pulmões), com foco no hemitórax direito. Além disso, exames apontaram alterações significativas nos eletrólitos.
Apesar da gravidade inicial com que chegou à unidade de saúde, a equipe médica conseguiu reverter parcialmente o quadro. Rie encontra-se estável e foi sedada para garantir seu conforto e evitar agitação durante o tratamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O aspecto mais positivo e que traz esperança aos amigos e familiares é que a atleta tem apresentado boas respostas neurológicas, com reflexos e pupilas reagindo adequadamente.

Aos 48 anos, Rie Luciana Nagasako é um a atleta querida e respeitada no meio da canoa havaiana no Brasil. Sua trajetória no esporte é marcada por resiliência. Em 2017, após sofrer um acidente de skate em Petrópolis e fraturar o tornozelo, ela precisou abandonar o Stand Up Paddle, esporte no qual era competidora, por não conseguir mais ficar longos períodos em pé. Foi por recomendação médica que ela migrou para a canoa havaiana, que na ocasião ainda engatinhava no Rio de Janeiro.
Desde que começou a competir oficialmente em 2022, Rie acumulou conquistas expressivas. O auge de sua carreira ocorreu em 2025, quando conquistou duas medalhas de ouro para o Brasil no Pan-Americano de Va’a, na Ilha de Páscoa (Chile), vencendo nas categorias V6 Master e V3 Open. Ela também carrega no currículo um bronze no Campeonato Mundial, na categoria sprint.
Além de atleta de elite, Rie é uma fomentadora do esporte. Há mais de sete anos ela mantém a escola Barra Va’a e, mais recentemente, o Projeto Somar. Diariamente, ela atende cerca de 50 alunos, destacando-se por seu trabalho de inclusão onde oferece bolsas com 50% de desconto para paratletas amputados, pessoas com deficiência visual e autistas.
Ironicamente, a atleta já havia alertado publicamente sobre os perigos da região onde o acidente ocorreu. Em entrevista ao jornal O Globo em 2025, Rie criticou o assoreamento da saída do Canal da Joatinga para o mar, o que tornava a navegação mais pesada e perigosa, além de cobrar maior fiscalização contra embarcações a motor que trafegavam em alta velocidade, colocando remadores em risco.
A comunidade do Va’a em todo o Brasil mobiliza-se agora em correntes de oração e envio de energias positivas, aguardando a evolução médica da campeã nas próximas 48 horas.