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Hoje em dia, quase todo mundo abre o celular antes de remar para olhar o vento, o mar e a ondulação, conferindo a direção e a intensidade antes de seguir o dia. Mas, sendo bem honesto, em muitas conversas com remadores do dia a dia, percebo que pouca gente para de verdade para entender o que está vendo ali. Não falo isso como cobrança, mas como reflexão: aprender a ler melhor a previsão também é uma forma de cuidado.
E talvez isso fique ainda mais evidente agora, com a breve chegada do inverno. Em 2026, a estação começa no dia 21 de junho, e essa virada costuma mudar a forma como muita gente percebe o mar, o vento e a própria leitura da remada. Nem sempre o que parecia simples naquele “mar de passeio do verão” responde igual nessa transição.
Quando o aplicativo mostra uma sigla, ele está indicando de onde o vento está vindo. Na prática:
E, quando aparece algo mais específico:
O ponto mais importante é este: a sigla mostra de onde o vento vem, não para onde ele vai. Se o app mostra S, o vento vem do Sul e sopra em direção ao Norte. Se mostra NO, ele vem do Noroeste e sopra em direção ao Sudeste. Parece detalhe, mas não é.
O vento é o ar em movimento, resultado de diferenças de pressão atmosférica, e seu comportamento muda conforme relevo, altitude e localidade. Ou seja: o que aparece no celular ajuda, mas não substitui a leitura real da sua praia, da maré, da ondulação, da saída e da linha da remada.
Uma coisa é ver 15 nós no celular. Outra é entender como esse vento entra na sua praia, como mexe com o mar naquele dia, como afeta a saída, a volta e a segurança de quem está embarcando com você.
Recentemente, a Associação de Clubes de Canoa da Cidade do Rio de Janeiro – Rio Canoa divulgou um protocolo de segurança para clubes vinculados, reforçando a importância do monitoramento meteoceanográfico e do respeito às condições climáticas e operacionais. Acho isso importante porque ajuda a lembrar que a segurança não começa só na água.
Começa antes. Na decisão de sair ou não sair. Na leitura do dia. Na atenção ao vento, à ondulação, à visibilidade e principalmente no perfil de quem vai remar.
Não por acaso, os serviços meteorológicos voltados à navegação tratam ventos fortes, mar grosso, ressaca e nevoeiros como sinais centrais de segurança. Entender minimamente o que aparece na previsão não torna ninguém especialista em meteorologista. Mas já ajuda a remar com mais consciência.
Quando você olha as condições antes de remar, está só vendo números e siglas? Ou está tentando entender o que aquilo quer dizer para a sua saída, para a sua volta e para a segurança de quem está com você?
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