
Porque devemos reverenciar Duke Kahanamoku
Para muitos, o maior water man que já existiu, Duke Kahanamoku é um ícone da natação, surfe e canoagem ... leia mais

Fala, moçada! Um tempo atrás, falamos sobre a importância de respeitar os treinos leves. De controlar a intensidade, não transformar toda sessão em competição e entender que não precisamos terminar cada treino exaustos para evoluir. Mas existe o outro lado dessa história: treino leve também precisa ser treino.
Na natação, é muito comum vermos o atleta executar perfeitamente a parte forte da série. Se o treinador pede 90%, ele vai para cima. Aumenta a frequência, bate perna, busca velocidade e termina ofegante.
Aí chega o A1 e tudo muda… A braçada perde qualidade, a frequência despenca, a perna praticamente desaparece e aquilo que deveria ser um treino aeróbico leve vira simplesmente um “soltinho”.
Então, grave bem o que vou dizer: Treino leve não é regenerativo! Quando falamos em nadar solto lá no fim do treino, estamos falando de recuperação ativa. Agora, quando a série pede A1, existe uma intensidade a ser cumprida.
Ela é baixa, confortável e predominantemente aeróbica, mas ainda assim representa trabalho. Ou seja, você deve sentir que está nadando. A técnica continua presente, a braçada continua eficiente e existe ritmo. A sensação pode — e deve — ser confortável. O erro é confundir confortável com pouco – ou nenhum – esforço.
Pense em uma escala de esforço de 0 a 10. Se o treino forte está em 8 ou 9, o objetivo do A1 não é cair para 1. É encontrar aquela intensidade baixa que você consegue sustentar por bastante tempo sem grande desgaste. Ou seja, levar a percepção de esforço pra um 5 ou 6, aquela média básica.
Esse detalhe é muito importante, especialmente para quem nada em águas abertas. Em provas mais longas, principalmente 5 km, 10 km e ultramaratonas aquáticas, o atleta passa uma parcela significativa do tempo trabalhando em intensidade aeróbica. Não dá para nadar 10 quilômetros no limite. O desafio é conseguir sustentar um ritmo eficiente durante muito tempo, economizando energia sem simplesmente “passear” pela água. E isso também precisa ser treinado.
Então, se toda vez que aparece um A1 na planilha você usa para descansar, perceba que está deixando de trabalhar uma intensidade extremamente relevante para o dia da prova em si.
Lembre-se que treinar bem é também aprender a acertar as intensidades. Observe como você nada. Quando reduz a intensidade, sua braçada continua completa? Você mantém uma boa posição na água? Existe continuidade no movimento? O core continua ativo? A pernada ainda participa? Ou você simplesmente desliga tudo e começa a esperar pelo próximo tiro?
O importante é manter qualidade de nado com menor esforço. Nem forte demais. Nem leve demais.
Então, da próxima vez que aparecer A1 na planilha, lembre-se que percepção de esforço, técnica, ritmo e execução precisam estar caminhando juntas para que o treinamento tenha efeito e você continue evoluindo dentro do seu planejamento.
Espero mais uma vez ter ajudado vocês. Nos vemos em breve com mais conteúdos!