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Fala, moçada! A temporada está a todo vapor e hoje gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas importantes para um dos momentos cruciais da maratona aquática: a chegada.
Poupar antes pra fazer um final mais forte… abrir vantagem lá atrás e segurar até o final… colar no adversário pra decidir no final… que estratégia é melhor? Para definir isso, é preciso entender principalmente a sua percepção de esforço. Vou dar um exemplo.
Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Ana Marcela Cunha liderava a prova e faltando poucos metros para a linha de chegada, sua frequência de braçadas diminuiu. Neste momento, algumas atletas que conseguiram desgarrar do pelotão encostaram e nos metros finais, a brasileira deu um novo sprint, confirmando a vitória. Na minha leitura, a atleta percebeu que estava nadando em um ritmo forte, notou que as adversárias não estavam acompanhando, aproveitou o momento para poupar energia e, depois disso, imprimir um ritmo mais forte no final. Ter essa percepção é tão – ou mais – importante quanto a estratégia de prova em si. Entender o seu patamar, as variáveis que conhecemos e as que não estão no nosso controle para fazer a escolha mais adequada para aquela situação, certamente pode fazer a diferença no resultado final.
Atletas iniciantes ou com pouca experiência geralmente partem para uma estratégia mais conservadora, fazendo uma progressão da intensidade ou ainda mantendo o ritmo constante e linear, construído nos treinos. Já os mais experientes podem ousar um pouco: ser mais imponentes desde o início; manter um ritmo moderado no início e imprimir um ritmo mais forte na segunda metade; ou até dividir a prova em várias partes menores (especialmente ultramaratonas) para gerenciar melhor o cansaço. O foco é não quebrar no final e comprometer todo planejamento e condicionamento conquistado.
Uma postura que também aconselho nos finais de prova é manter a respiração controlada para oxigenar o cérebro. Muitos ficam ansiosos e com isso acabam colocando mais força do que o necessário para chegar logo. Dependendo do cenário, isso pode custar uma medalha ou posição. O controle emocional é fundamental para que você possa gerenciar seu esforço e tomar uma boa decisão.
Outro detalhe importante é que não é preciso chegar no seu limite em toda prova. Alguns eventos podem servir de treinamento e aquisição de experiência para aquela prova chave tão esperada. Entender a relevância na hora de montar seu planejamento também pode ajudar a definir qual será sua postura no desafio.
Espero que tenha ajudado vocês e nos vemos na linha de chegada.