Remadora busca quebrar recorde em travessia solo do Pacífico

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Travessia remo do pacífico
Kelsey Pfendler e seu barco “Lily” na largada de sua jornada épica de 3.860 km entre a Califórnia e o Havaí. Foto: Carlos Andina

A remadora estadunidense Kelsey Pfendler está protagonizando uma travessia extrema contra o tempo, os elementos e seus próprios limites físicos. Operando muito além do alcance de um resgate imediato, a atleta de 31 anos partiu de Monterey, na Califórnia, no dia 21 de maio de 2026, com o objetivo de cruzar 2.400 milhas náuticas (cerca de 3.860 km) até a ilha de Oahu, no Havaí.

O objetivo de Pfendler vai além da sobrevivência: ela busca superar o atual recorde mundial de travessia solo feminina mais rápida nessa rota. Para isso, precisa ultrapassar a impressionante marca de 86 dias, 10 horas e 5 minutos, estabelecida pela britânica Lia Ditton em 2020.

Rotina extrema

Para alcançar sua meta, a matemática da travessia exige um cronograma punitivo. Pfendler rema entre 12 e 15 horas todos os dias, aproveitando os ventos alísios e lutando contra ondas gigantes para manter a quilometragem necessária.

A estratégia agressiva tem dado resultados. ela cruzou a crucial marca da metade do caminho no dia 14 de junho, seu 25º dia no mar e deve concluir sua jornada no dia 5 de julho. Esse ritmo excepcional a coloca em uma posição favorável para quebrar o recorde atual.

Isolamento e engenharia de sobrevivência

O termo “sem assistência” é a espinha dorsal deste feito. Pfendler não possui velas, motor ou barco de escolta. Tudo o que é necessário para mantê-la viva por três meses está armazenado nos compartimentos estanques de sua embarcação.

  • Água e Alimentação: Ela utiliza um dessalinizador movido a energia solar para converter água do mar em água potável e sobrevive à base de refeições desidratadas, misturas de carboidratos e leite em pó.
  • Comunicação: Para mitigar o profundo impacto psicológico do isolamento total, ela conta com uma conexão via satélite Starlink. Isso permite contato vital com sua equipe de terra e meteorologistas, além de transmissões em tempo real para seus mais de 400.000 seguidores no Instagram.
  • Apoio Inesperado: Apesar da solidão, a camaradagem oceânica se faz presente. Recentemente, ela recebeu contato via rádio e palavras de apoio do capitão de um enorme navio cargueiro chinês que navegava pelas mesmas rotas comerciais.

Experiência prévia e os desafios do mar

Kelsey não é uma novata nas exigências extremas do Pacífico. Em 2024, ela foi a capitã de uma equipe de quatro mulheres na competição “The World’s Toughest Row”, completando a travessia até Kauai em 40 dias, 22 horas e 14 minutos.

No entanto, a dinâmica de uma remada solo é fundamentalmente diferente. Sem colegas para dividir os exaustivos turnos noturnos, ela é responsável por cada remada, decisão de navegação e manutenção. O desgaste físico causado pela umidade crônica, feridas de sal e um severo déficit calórico tornou-se seu principal adversário, exigindo que ela se tranque em sua minúscula cabine durante tempestades, confiando na capacidade do barco de se desvirar sozinho em caso de capotamento.

Raio-X da expedição

  • A Atleta: Kelsey Pfendler, 31 anos.
  • A Rota: 2.400 milhas em mar aberto, de Monterey (Califórnia) a Oahu (Havaí).
  • A Embarcação: “Lily”, um barco a remo oceânico de fibra de vidro de 24 pés (aprox. 7,3 metros) e construída em um sistema “self-righting” (capaz de desvirar sozinho).
  •  O Objetivo: Quebrar o recorde de velocidade de 86 dias para uma travessia solo feminina e ser a primeira americana a completar o feito sem assistência.

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