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O sueco Jonas Böhlmark, de 36 anos, conhecido nas redes sociais como “The Last Viking”, conquistou um marco histórico ao concluir uma expedição de mais de três anos ao longo da costa europeia. A bordo de uma prancha de Stand Up Paddle, Böhlmark remou do Círculo Polar Ártico até o Rochedo de Gibraltar, retornando em seguida para a costa de Portugal.
Mais do que um feito físico extremo, a travessia solitária serviu como uma ferramenta de sobrevivência e estruturação para o atleta, que convive com o diagnóstico de transtorno bipolar desde a juventude.
Böhlmark sofreu seu primeiro episódio de psicose aos 19 anos, período em que recebeu o diagnóstico de perturbação bipolar. Em vez de se afastar das atividades físicas, ele encontrou nos esportes de resistência uma forma de provar a si mesmo sua capacidade de superação.
“Sempre adorei movimento, o esqui e a natureza. O desporto tem sido a minha âncora”, relatou o sueco ao jornal português Nascer do Sol. Segundo ele, os desafios extremos funcionam como um método para equilibrar a vida e a medicação, rejeitando o estigma de ser uma vítima da doença. A expedição, que começou logo após uma licença médica motivada por uma crise grave, forneceu a estrutura e o propósito necessários para manter sua saúde mental sob controle.
A aventura teve início em setembro de 2022, no norte da Noruega, inicialmente planejada como uma travessia terrestre ao lado de um amigo. Durante o primeiro ano, a dupla utilizou corrida, bicicleta, esqui e rafting. No entanto, após a separação dos dois na cidade de Torneå, na Finlândia, Böhlmark decidiu continuar sozinho, e a prancha de SUP assumiu o protagonismo da jornada.

Remando sem barco de apoio, o sueco desceu pela costa europeia enfrentando ventos, correntes e tempestades. A rotina exigia disciplina extrema e leitura constante do oceano. Durante o trajeto, ele dormiu mais de 1.400 noites ao ar livre, transformando a expedição em seu modo de vida permanente. “A natureza tornou-se o meu lar e estar em movimento era a única coisa normal”, afirmou.

A travessia cobrou um preço físico alto. Böhlmark relatou exaustão severa, desgaste muscular e até a necessidade de uma cirurgia na França devido a um nódulo no pescoço, o que o imobilizou por dois meses. Financeiramente, o atleta recusou grandes patrocínios corporativos, sobrevivendo com o apoio familiar e a ajuda de milhares de desconhecidos que encontrou pelo caminho.
A chegada a Gibraltar ocorreu em novembro de 2025, marcando mais de 1.100 dias de viagem. Após atingir o marco, o remador virou a prancha e iniciou o retorno, enfrentando as águas da costa portuguesa. Ele destacou a dificuldade técnica das grandes ondulações em regiões como Sagres e Nazaré, mas elogiou a hospitalidade local.
Atualmente, Jonas Böhlmark encontra-se em Sesimbra, Portugal, focado em descansar e recuperar sua saúde após adoecer novamente. Seu objetivo principal com a expedição foi alcançado: quebrar o silêncio e reduzir o estigma em torno das doenças mentais em jovens adultos.
Ao demonstrar que é possível estabelecer rotinas sólidas e realizar feitos esportivos de magnitude global mesmo com um diagnóstico complexo, Böhlmark espera inspirar outras pessoas a buscarem qualidade de vida e superação.