Como o Relaxamento Ativo pode melhorar (e muito) seus treinos

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relaxamento Ativo
Relaxamento Ativo é uma técnica de treinamento que visa combater nos estados de estresse e tensão muscular entre atletas. Foto: Reprodução

Ainda pouco difundido entre remadores brasileiros, o Relaxamento Ativo é uma técnica de treinamento que visa combater nos estados de estresse e tensão muscular entre atletas.

Essa técnica funciona também tem função revigorante e atua beneficamente sobre sua saúde física, mental e emocional.

Para ir mais a fundo no tema, entramos em contato com o Prof. Dr. Heros Ferreira, Fisiologista Olímpico que atuou como um dos grandes responsáveis na formação da Seleção Brasileira de Canoagem de Slalom e Velocidade.

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Doutor Honoris Causa em Ciência do Esporte e Pós-doutor em Fisiologia Médica, Dr. Heros é considerado um dos maiores especialistas do Brasil no campo da ciência do esporte.

De sua clínica, a “Heros Sport Science”, localizada em Balneário Camboriú (SC), ele gentilmente atendeu ao Aloha Spirit Midia e respondeu as seguintes perguntas:

Prof. Dr. Heros Ferreira explica o conceito do Relaxamento Ativo

relaxamento ativo
Dr. Heros Ferreira em sua clínica, a Hero Sports Science, avaliando as condições físicas de atleta. Foto: AP

O senhor poderia nos explicar o conceito de relaxamento ativo?

Durante o exercício, a energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP produzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular. Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento muscular. Nesse sentido, o relaxamento é uma técnica física que auxilia nos estados de estresse, tensão muscular, ou ainda como meio revigorante que atua beneficamente sobre sua saúde física, mental e emocional.

No caso, essa prática seria capaz, inclusive, de ajudar na recuperação de remadores em início de resfriado?

Veja, na verdade é que os exercícios reforçam a imunidade e previnem gripes e resfriados. Mas, se a doença já pegou você, nem sempre a melhor coisa é ir para a academia ou treinar. A American College of Sports Medicine, principal instituição americana de medicina esportiva, defende que é possível treinar até 30 min de atividades moderadas em dias alternados se os sintomas são amenos e se resumem a dor de cabeça, nariz escorrendo ou tosse. Ainda, voltar ao treinamento quando estiver quase bem.

As endorfinas liberadas pelo exercício têm efeito analgésico e relaxante muscular, por isso ajudam a aliviar sintomas leves.

A exposição ao sol também ajudaria a fortalecer nossas resistências por conta da vitamina D?  E, caso sim, de que forma essa exposição pode ser benéfica?

Sim. A vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel que pode ser obtido após exposição solar ou por meio da alimentação. A substância é essencial para o corpo humano e sua ausência pode proporcionar uma série de complicações.

Ela é necessária para a manutenção do tecido ósseo e também influencia consideravelmente no sistema imunológico, sendo interessante para o tratamento de doenças autoimunes e no processo de diferenciação celular.

A falta do nutriente favorece 17 tipos de câncer. A Vitamina D ainda age na secreção hormonal e em diversas doenças crônicas não transmissíveis, entre elas a Síndrome Metabólica, que tem como um dos componentes o diabetes tipo 2.

Para evitar a carência do nutriente é interessante incluir na dieta alimentos ricos nesta substância e também tomar entre 15 e 20 minutos de sol sem proteção solar e com braços e pernas expostos todos os dias.

Treinar ao ar livre, nos meses de inverno, aumenta as chances de contrairmos uma gripe (ou resfriado) ou seria o contrário? 

A literatura científica é repleta de artigos que relatam estudos sobre os benefícios dos exercícios para reforço do sistema imunológico, havendo uma opinião praticamente consensual de que a atividade física moderada é a forma mais adequada para este propósito.

O mecanismo da melhora da defesa está associado a um efeito da atividade física regular em promover um aumento das linfócitos, células denominadas “natural killers”. A célula natural killer, linfócito atuante no sistema inato, tem como função destruir células tumorais ou infectadas por vírus. Outro fator que colabora para a proteção do organismo é o fato de a atividade física promover a diminuição do estresse.

Como nosso corpo funciona de maneira harmoniosa, com inter-relação entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, a redução do estresse faz com que o organismo se fortaleça e fique menos suscetível a diversas doenças.

Existe uma atividade física ideal, nesse caso?

Quanto à melhor forma de atividade para fortalecer o sistema imunológico, parece não haver grande diferença entre as diversas modalidades, prevalecendo sempre o conceito do exercício moderado.

Existem também evidências de que os exercícios com pesos, desde que respeitando o conceito de adequação de carga, também podem melhorar a imunidade. O que se deve evitar são os exercícios de intensidade acima de um limite crítico, que reconhecidamente vão ter o efeito inverso, diminuindo a imunidade e aumentando a incidência de doenças por enfraquecimento imunológico.

Quando seria a hora certa para parar e dar um tempo nos treinos para nosso corpo se reestabelecer?

Devemos parar sempre que houver:

Falta de ar. Um pouco de dificuldade pra respirar é normal depois de um treino intenso, principalmente um cardio ou um HIIT (Treino Intervalado de Alta Intensidade).

2- Dor no peito;

3- Dores tardias;

4- Variações de humor;

5- Sono ruim;

6- Cansaço excessivo;

7- Sensação de desidratação.

Fora isso, nunca parar!

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