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O Campeonato Mundial de Va’a (modalidade sprint) foi encerrado nesta segunda-feira (31) em Marina Bay, Singapura. O evento, realizado pela primeira vez no continente asiático entre os dias 17 e 31 de agosto, reuniu mais de 3.100 remadores de 29 países. A delegação brasileira finalizou a competição na sétima colocação geral, somando sete medalhas (três de ouro, três de prata e uma de bronze), em um quadro dominado pelas nações polinésias.

O principal motor do desempenho brasileiro em Singapura foi o Parava’a, responsável por seis das sete medalhas conquistadas pelo país. As atletas garantiram presença constante nos pódios de suas respectivas categorias:
O volume de conquistas da categoria adaptada reforça seu papel como pilar dos resultados internacionais do Brasil. No entanto, como venho alertando há muitos anos, o cenário também evidencia a necessidade de maior fomento e espaço por parte das entidades organizadoras nacionais, visto que o desenvolvimento do Parava’a no país ainda depende fortemente do trabalho autônomo e do esforço dos clubes.

Na categoria Elite Men, considerada a de mais alto nível técnico da competição, o Brasil registrou um resultado expressivo com a equipe Team Mirage. O grupo conquistou a medalha de bronze na prova de V6 1500m, registrando o tempo de 6:57.06.
A equipe estava formada por: Paulo dos Reis, Rodrigo Rodrigues, Bernardo Fertonani (atleta da categoria Júnio), Ricardo Mirapalheta, Felipe Manzur e Juan Combothanassis Ali.
A conquista teve um componente de intercâmbio esportivo relevante: a equipe contou com o suporte de David Tepava, lendário treinador taitiano da equipe campeã Shell Va’a. Tepava, que já passou uma temporada no Brasil treinando a Team Mirage, prestou assistência aos brasileiros em Singapura, mesmo com seus compromissos oficiais junto à delegação do Taiti.
O quadro geral de medalhas confirmou a supremacia das nações com tradição na modalidade. O Taiti liderou o ranking com 87 medalhas no total, sendo 45 de ouro. O pódio geral foi completado por Havaí (46 medalhas), Nova Zelândia (70 medalhas, mas a maioria bronze) e uma surpreendente quarta colocação para o Canadá (21 medalhas), que, verdade seja dita (e a apesar das baixas temperaturas do país), tem uma forte tradição na canoagem herdada pelos povos indígenas da América do Norte.
Membros da delegação brasileira relataram que o nível técnico em Marina Bay exigiu um esforço máximo, ressaltando que o simples avanço para semifinais e finais já representou a superação de um desafio considerável diante de delegações mais robustas.
| Posição | Equipe | Ouro | Prata | Bronze |
| 1 | Taiti | 45 | 26 | 16 |
| 2 | Havaí | 18 | 12 | 16 |
| 3 | Nova Zelândia (Aotearoa) | 16 | 26 | 28 |
| 4 | Canadá | 6 | 12 | 3 |
| 5 | EUA | 6 | 8 | 10 |
| 6 | Austrália | 6 | 7 | 10 |
| 7 | Brasil | 3 | 3 | 1 |
| 8 | França | 3 | – | – |
| 9 | Equipe IVF | 2 | 2 | 2 |
| 10 | Singapura | 2 | – | – |
| 11 | Wallis & Futuna | – | 3 | – |
| 12 | Nova Caledônia | – | 1 | 5 |
| 13 | Ilhas Cook | – | – | 1 |
| 13 | Alemanha | – | – | 1 |
Observando os resultados alcançados pelas equipes que lideraram o quadro de medalhas nota-se que houve um investimento maciço em categorias de base, com delegações trazendo um grande volume de atletas juniores. Esse fator levanta um alerta para o futuro do esporte no Brasil, apontando para a urgência de políticas de inclusão para atletas mais jovens.
O calendário internacional oferece uma janela estratégica para essa reestruturação. Com uma pausa programada pela Federação Internacional de Va’a (IVF) para 2027, os próximos mundiais ocorrerão apenas em 2028 (modalidade longa distância) e 2029 (sprint). O hiato de competições globais dá à comunidade brasileira tempo hábil para buscar maior união institucional, melhorar a estrutura de treinamento e planejar o desenvolvimento das próximas gerações de remadores.