
Benefícios da canoagem para crianças com Síndrome de Down
Nas águas do Velho Chico, crianças com Síndrome de Down socializam e exploram o potencial de suas ... leia mais

A competição de downwind mais antiga do Brasil provou, mais uma vez, por que é um dos eventos mais respeitados do calendário nacional. No último sábado (23), a Costa da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, foi palco da edição 2026 da W2 Downwind. Marcada por uma mudança climática que exigiu adaptação rápida da organização e muita técnica dos atletas, a prova entregou uma experiência única e desafiadora nas águas fluminenses.
A organização da W2 Downwind trabalha com uma janela de espera para garantir as melhores condições de navegação aos atletas. Neste ano, a previsão inicial apontava para ventos fortes de nordeste, mas a chegada de uma frente fria mudou o cenário.
O diretor da prova, Dave Mcknight, explicou a decisão estratégica tomada pela direção: “A gente já tinha programado uma janela de pelo menos dois dias para escolher a melhor previsão. Depois de uma semana de vento muito forte em Búzios, o vento deu uma virada por conta da chegada da frente fria, mudando para sudoeste“.
Com essa alteração, a rota tradicional (Búzios para Cabo Frio) foi invertida. Os remadores largaram de Cabo Frio com destino à Praia da Ferradura, em Búzios. Segundo Mcknight, essa é uma raia rara e que poucos atletas haviam experimentado anteriormente.

A mudança de percurso trouxe características singulares para a prova. Diferente das grandes ondulações formadas pelo vento nordeste, a rota de sudoeste exigiu uma leitura de mar muito mais apurada.
“É bem mais técnico, porque as ondas são menores e você precisa achar essas ondinhas ali. A ondulação acaba vindo até um pouco de través, pelo lado de fora da ama“, detalhou o diretor.
Além das condições do mar, a navegação foi um fator crucial, especialmente na aproximação final. A entrada na Praia da Ferradura exigiu que os competidores soubessem identificar as pontas e praias corretas. Enquanto alguns atletas demonstraram excelente leitura costeira, outros enfrentaram dificuldades de orientação, o que tornou a disputa ainda mais acirrada.
Apesar do alto nível técnico exigido, o evento foi um sucesso absoluto em termos de segurança. A organização celebrou o fato de que todos os competidores completaram o percurso sem a necessidade de resgates ou suporte emergencial.
O clima pós-prova foi de euforia. “A prova foi um sucesso. Todos os atletas que estavam na prova já estão esperando a edição do ano que vem“, comemorou Mcknight, destacando a satisfação geral dos participantes com a experiência atípica e desafiadora.

Na categoria principal, Lucas Simas Bender e Dayone Rossi sagraram-se os grandes campeões gerais nas modalidades masculina e feminina de OC1, respectivamente.
Confira os destaques do pódio por categoria:
1º Lugar: Lucas Simas Bender
2º Lugar: Fabiano Boechat do Nascimento
3º Lugar: Igor Rossi Junqueira
1º Lugar: Dayone Antunes Rossi
2º Lugar: Amber Faur
3º Lugar: Eneida Arendt Rego
Masculino: Márcio do Amaral Raul (1º), Ricardo Castelar Girão (2º) e Victor Guerson Campanati (3º).
Feminino: Amber Faur (1º), Eneida Arendt Rego (2º) e Kely Nogueira da Costa (3º).
Masculino: Ruy Francisco Novellino da Silva (1º), Gelmir Alves Melo (2º) e Vinicius Siani (3º).
Feminino: Dayone Rossi (1º).
1º Lugar: Ivanl Luiz Ferreira Mundim
2º Lugar: Claudio Aurelio Carneiro
3º Lugar: Gratiniano Pardo Lucas
1º Lugar: Leonardo Natsoulis Cestari
Consolidada como a prova mais tradicional do segmento no país, a W2 já projeta inovações para 2027. Atendendo a pedidos dos atletas, a organização planeja ampliar a janela de espera para até dois finais de semana, garantindo condições ainda mais perfeitas.
Além disso, o sistema de premiação será expandido. “A ideia já é fazer a premiação em medalhas para o pessoal das categorias 40, 50 e 60 masculina, assim como fizemos no feminino, além de premiar a colocação geral no campeonato independente da categoria”, antecipou Dave Mcknight.
Com uma organização profissional e a capacidade de transformar os caprichos da natureza em um espetáculo esportivo, a W2 Downwind reafirma seu papel fundamental no fomento e na história da canoagem oceânica brasileira.