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O mineiro Diogo Aguiar tem um caiaque e um sonho: percorrer toda a costa brasileira remando. Serão cerca de 8.400 quilômetros e 17 estados, desde Chuí (RS) até o Oiapoque (AP), que pretende concluir em três anos, impulsionado pelo sonho de viver da produção de conteúdo sobre suas viagens.
Após iniciar sua expedição em maio do ano passado, o canoísta se encontra no litoral sul de São Paulo, deixando para trás toda a complexa e desafiadora costa da região Sul do Brasil.
A expedição de Diogo tem uma particularidade que a torna única: ele escolheu fazer o sentido Sul-Norte. Essa decisão o obriga a remar contra o vento nordeste, predominante na costa brasileira, na maior parte do tempo.

Sua grande inspiração para o projeto foi o experiente canoísta Adelson Carneiro (que fez a rota do Oiapoque ao Chuí), que atuou como um mentor no início da expedição. Sabendo da inexperiência de Diogo e dos perigos do mar gaúcho, Adelson o aconselhou a fazer o trajeto do Rio Grande do Sul por dentro das lagoas.
Seguindo a dica de ouro do ídolo, Diogo navegou com segurança pela Lagoa Mirim, Canal São Gonçalo, Lagoa dos Patos e Lagoa Itapeva, até chegar a Torres (RS), onde o mar se torna um pouco mais previsível. Após uma pausa para trabalhar em Ubatuba durante a temporada de verão, ele retornou ao mar para concluir o litoral de Santa Catarina e Paraná.
Natural de Diamantina (MG), Diogo sempre teve o espírito nômade. Acostumado a viajar sozinho desde os oito anos de idade, ele construiu sua vida na estrada trabalhando como motorista de caminhão, ônibus e de aplicativos.
Apesar da bagagem no asfalto, sua experiência no mar era quase nula. Antes de se lançar na expedição, ele havia andado de caiaque apenas por lazer. Para se preparar, fez testes graduais, remando percursos de 14 quilômetros e aos poucos aumentando as distâncias e avançando para o mar aberto em testes para garantir que não sofreria com enjoos devido às grandes ondulações.
Apesar de bem preparado, tanto fisicamente quanto psicologicamente, a falta de experiência cobrou seu preço, pois ele começou a travessia com um caiaque de pesca, uma embarcação estável, porém pesada e inadequada para longas distâncias, o que exigia muito esforço físico. A troca de equipamento se mostrou indispensável para a continuidade do projeto e graças ao apoio de pioneiros da canoagem oceânica como Cristian Fuchs, Leonardo Esch e o próprio Adelson, ele conseguiu trocar seu equipamento por um caiaque oceânico profissional.
Por ser um projeto independente, Diogo precisará fazer pausas estratégicas para angariar recursos, como foi o caso do verão, onde viajou a Ubatuba para trabalhar como vendedor de sorvetes e picolés durante a alta temporada de verão. Apesar das dificuldades, ele está firme em seu propósito e vem contando com a ajuda de voluntários ao longo de seu trajeto, como foi o caso da cidade de Iguape, litoral sul de São Paulo, onde foi recebido pela prefeitura e remadores da região.
A rotina de Diogo é ditada pelo clima. Sua meta é remar 30 quilômetros por dia, mas a velocidade varia drasticamente:
Nessa jornada solitária, o mineiro forjou uma filosofia própria de sobrevivência. Segundo ele, a maior lição aprendida na água é a autossuficiência: “Se você tem algo para resolver, resolva sozinho e rápido, sem procurar desculpas. Está difícil, mas sou só eu”.
Através de seu perfil no Instagram @diogoh.aguiar ele vem narrando os detalhes de sua travessia.