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Outubro é tradicionalmente aguardado pelos amantes do va’a por ser o mês em que se realiza a Moloka’i Hoe, uma das mais traidicionais e emblemáticas competições de canoa havaiana de longa distância do mundo.
Em 2022, estamos comemorando o 70º aniversário da travessia de 38 milhas entre as ilhas havaianas de Moloka’i e O’ahu, mas a prova foi cancelada pela terceira vez consecutiva, ainda decorrente aos efeitos da pandemia de Covid-19 no arquipélago.
E muita coisa mudou durante a pandemia: a Hawaiian Airlines não voa mais para Moloka’i, as regras de aluguel por temporada do condado de Maui mudaram, e alguns moradores de Moloka’i querem que a corrida seja reduzida em tamanho.
Dentro dessa nova realidade, a O’ahu Hawaiian Canoe Racing Association (OHCRA), que organiza a Moloka’i Hoe, está conversando com a comunidade Moloka’i sobre um possível reinício.
“Acreditamos, por hora, que é mais importante permitir que os moradores de Moloka’i possam ir e voltar de sua ilha, a qualquer momento, para tratar de emergências médicas, e por isso entendemos não ser o momento de sediar uma prova desse tamanho lá”, disse o remador veterano e ex-membro do conselho da OHCRA, Ikaika Rogerson.

O morador e remador de Moloka’i, Kawika Crivello, diz que a comunidade se sentiu ouvida e considerada quando a corrida foi cancelada:
“É ‘pono’ (necessário) que isso tenha sido feito porque não temos infraestrutura, e também há um tempo para deixar a ilha se curar em um sentido espiritual”, disse Crivello durante reportagem exibida no The Conversation, programa de notícias da Hawaii Public Radio.
“Quando falamos do sentido espiritual, falamos de cultura, e Moloka’i, é claro, é cultura, é um estilo de vida“, completou.
Como os casos de Covid-19 continuaram altos no Havaí até fevereiro de 2022, o Conselho da OHCRA decidiu não realizar a corrida. Houve também conversas sobre a realização de um evento menor, para convidados.

“A (variante) Omicron trouxe medo e muita incerteza e Moloka’i chegou a registrar surtos de contaminação no início do ano. Tivemos que tomar a decisão em fevereiro e agora estamos começando a olhar como ficarão as coisas para o próximo ano”, disse Crivello.
O remador, contudo, deixou claro que os moradores de Moloka’i não estão protestando contra a corrida, reforçando que muitos participaram da prova ao longo dos anos. No entanto, a comunidade local está pedindo mais proteção e educação em torno do uso da ilha.
“Quando a Moloka’i Hoe começou, era parte de uma celebração, um evento cultural, mas ao longo dos anos, essa perspectiva foi se distanciando e o evento se tornou apenas uma corrida em si“, pondera Crivello. “Acho que ficou a competição ficou muito maior, sem culpar dos organizadores, mas o legado cultural precisa ser preservado”.
Ikaika Rogerson diz que é preciso um mínimo de 85 equipes para que a corrida se viabilize financeiramente. A conversa continua sobre o que acontecerá em 2023.
“De forma alguma Moloka’i está querendo dizer ‘não queremos isso’. Nós só queremos fazer isso da maneira certa. E, como você disse, reduza a escala, dê uma olhada – qual é a importância, o cerne do que é o wa’a? Chegou a hora de colocarmos tudo na mesa e sermos transparentes” acrescentou Crivello.
NOTA: Esta entrevista foi ao ar no programa The Conversation em 11 de outubro de 2022. O programa é exibido semanalmente na Rádio Pública do Havaí. Edição e tradução por Luciano Meneghello.