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Numa nova vitória valendo muito a experiência, a resistência e a estratégia, o remador Rogério Mendes garantiu o tetracampeonato no Desafio de Canoagem Salvador-Morro de São Paulo, no litoral baiano, no último sábado (11). Ele foi o melhor na canoa havaiana individual com leme (OC1), completando os 60 km de percurso, em mar aberto, em 6 horas e 18 minutos.
Mais do que isso, Rogério Mendes se tornou o maior vencedor da história do desafio baiano de remanda, considerado um dos mais difíceis do Brasil.
A prova é feita numa linha reta imaginária entre o Yacht Club da Bahia, em Salvador, até a Praia Linda, ao lado do Morro de São Paulo, no município de Cairu. Em disputa canoas OC6, OC2, OC1, V1 e surfski individual e duplo. Todas as embarcações competem equipadas com rastreadores via satélite, garantindo a segurança. Existem dois pontos de controle, onde todos devem passar, um no km 20 e outro no km 40, onde há hidratação, suplementação e posto médico.
Feliz com a histórica quarta vitória na prova, Rogério comemorou terminar muito bem o trajeto, sobretudo pelas circunstâncias da competição, e por sua preparação, ressaltando que ele é treinador e teve outros 21 competidores na disputa, em diversas categorias:
“Cheguei de forma tranquila, pois já sabia o que iria enfrentar. Uma prova dessas começa, de verdade, a partir dos 40 quilômetros. Já tenho uma experiência em provas de Endurance e saber administrar o desconforto é fundamental para não quebrar”, disse o tetracampeão, que competiu com patrocínios da Meta, Água Marinha, Wine, Evolution Canoe e Canoe Brasil.

O atleta explicou que a distância, as condições do mar e o calor são os principais obstáculos nessa prova, isso para quem está realmente treinado. E cada detalhe se torna importante, sobretudo o controle da temperatura interna, a hidratação e a suplementação com carboidratos. “Treinei focado nos detalhes. Tenho pouco tempo para treinar e priorizei a qualidade e não a quantidade dos quilômetros percorridos”, ressaltou o tetracampeão do Desafio de Canoagem Salvador-Morro de São Paulo (2018, 2019, 2022 e 2023) e recordista com 5h27min na primeira vitória.
Na preparação, ele teve apoio total da família, toda formada por atletas, e teve um susto com o filho mais velho Théo, waterman, que sofreu acidente quando praticava foil, exigindo uma atenção maior do pai. “Eles todos me acompanham nas loucuras do esporte. Com o acidente do Théo, acabei perdendo cerca de cinco treinos, no polimento, mas aos poucos consegui retornar com a cabeça mais aliviada”, lembrou.
Para Rogério, essa foi uma das edições mais duras e desafiadoras e as dificultadas foram atestadas por muitos abandonos. “Essa é uma prova diferente, porque remamos boa parte do percurso sem contato com os outros. Cada um faz a sua linha, a sua navegação. Essa foi uma das edições mais difíceis e a quantidade de abandonos foi alta. O tempo todo remando, tentando economizar ao máximo, porque sabe que lá na frente o corpo vai sofrer”, falou.
“Estava muito quente, condições de onda pegando de través (lateral), na ama (flutuador acoplado na canoa, para dar mais estabilidade), prejudicando um pouco. Tirava a galera do itinerário, jogando as embarcações para o lado direito e perdendo a qualidade da navegação”, complementou Rogério, que comanda a equipe Meta Va’a, assessoria esportiva da categoria.
“Essa vitória marca o início de mais uma temporada. Tenho 46 anos e competir com os mais jovens é a minha motivação diária. Dessa forma, me sinto jovem o suficiente para encarar a vida com o máximo de energia possível”, finaliza Rogério Mendes, que tem como próximos desafios o Circuito Aloha Spirit e o Brasileiro da modalidade.