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Dois adolescentes foram resgatados no mar de Santos, no litoral de São Paulo, por uma equipe de um clube de va’a da cidade que retornava de um passeio de canoa polinésia. O salvamento ocorreu no início da noite da última terça-feira (19), próximo ao Canal do Porto, em um dia de forte correnteza. Os jovens, que já estavam à deriva e em avançado estado de exaustão, foram levados em segurança até a costa pelos remadores.
Augusto Ruttul Godinho, de 45 anos, instrutor e proprietário do clube Kaikamahine Va’a, relatou que a equipe voltava de um passeio com destino à Praia do Sangava quando a situação foi percebida. “Quando estávamos retornando, eu avistei duas cabecinhas, duas pessoas. Ainda fiquei na dúvida porque já estava escurecendo. Eram dois meninos que estavam passando por apuros. A correnteza estava bem forte neste dia”, contou Augusto.
Ele imediatamente direcionou a canoa polinésia para o resgate e embarcou os dois jovens, notando que um deles já apresentava um quadro severo de cansaço. A educadora física Fabiane Deconti, de 39 anos, que estava na canoa vivenciando sua primeira experiência na modalidade, acrescentou que os adolescentes aparentavam ter cerca de 15 anos e estavam visivelmente esgotados. “Eles estavam muito cansados”, afirmou.
O que torna o resgate ainda mais impactante é o relato dos próprios adolescentes. Segundo eles contaram aos remadores, antes de serem encontrados pela canoa, pediram ajuda a duas lanchas que estavam por perto. Na primeira, solicitaram apenas um pouco de água, mas o pedido foi negado. Na segunda, pediram para apenas se apoiarem na embarcação para descansar, o que também foi recusado.
Augusto, que além de instrutor de canoagem também é instrutor de surfe e já atuou como guarda-vidas temporário, demonstrou alívio diante do feito. “Fiquei muito feliz de ter feito isso, mas, na minha cabeça, eu não fiz mais do que a minha obrigação”, declarou.
É um absurdo pensar que, em um ambiente como o mar, onde a solidariedade é fundamental, duas embarcações com plenas condições de ajudar simplesmente negaram socorro a dois garotos em perigo. É importante destacar que negar auxílio no mar não é apenas uma falha de caráter, mas um crime previsto em lei.
A omissão de socorro é tipificada no Código Penal Brasileiro e também na legislação marítima (Artigo 135 do Código Penal brasileiro). Caso as lanchas que se recusaram a ajudar sejam identificadas, seus responsáveis poderão ser acionados criminalmente. Felizmente, a atitude da equipe de canoagem reflete o verdadeiro espírito dos povos do mar. Entre os valores pregados pela cultura va’a estão o humanismo, o senso de comunidade e o cuidado com o coletivo, princípios que foram colocados em prática e que salvaram duas vidas no mar de Santos.