
Gestão de Clubes – Parte VII | Taxa de ocupação
A Taxa de Ocupação é o tempo do capítulo VII da série "Gestão de Clubes de Canoa Polinésia", assinada por ... leia mais

Olha essa foto por alguns segundos. Tem gente na areia. Canoas do lado. O mar na frente. E todo mundo olhando pra mesma direção. Mas antes de entrar na água, alguém precisa observar o mar, conversar, orientar, decidir, cuidar das pessoas. Precisa estar presente.
Só que quem lidera um clube sabe: antes de chegar nesse momento, provavelmente já respondeu um monte de WhatsApp, resolveu mudança de horário, conferiu pagamento, procurou uma informação antiga no grupo, pensou numa postagem, organizou uma aula e ainda tentou lembrar quem confirmou a próxima travessia.
Talvez seja aí que a inteligência artificial possa ajudar. Não olhando o mar por você. Mas devolvendo um pouco de tempo pra que você possa olhar.
A TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, mostra que empresas de artes, cultura, esporte, recreação e outros serviços já estão incorporando inteligência artificial. Entre as que usam a tecnologia, 53% aplicam em marketing ou vendas.
Outro levantamento, feito pelo Sebrae e pela FGV IBRE com colaboração do Google, trouxe um contraste interessante: 96% das micro e pequenas empresas brasileiras dizem conhecer ferramentas de IA generativa, mas só 15% afirmam usar com frequência. Ou seja: quase todo mundo já ouviu falar. O desafio agora é fazer caber na rotina.
Eu também comecei pelas coisas simples. Uso inteligência artificial praticamente todos os dias na minha rotina profissional. Mas não necessariamente pra fazer as coisas por mim.
Uso muito pra organizar anotações, recuperar contexto de reuniões, estruturar ideias, preparar conversas e encontrar informações que poderiam ficar perdidas no meio da rotina. Pra mim, o ganho não é parecer mais tecnológico. É perder menos coisa no caminho.
Pra um líder de clube, acredito que o começo possa ser parecido. Sem automação sofisticada. Sem projeto de transformação digital. Começando pequeno.
Mudou o horário? Precisa explicar uma cobrança? Divulgar uma travessia?
Escreve do seu jeito e pede pra IA te ajudar a deixar mais claro, mais curto ou mais acolhedor. Depois revisa antes de enviar.
Cola suas anotações e pede: “Organiza isso em decisões, responsáveis, prazos e próximos passos.” Só isso já evita bastante coisa se perder pelo caminho.
Lista as provas, feriados, travessias e ideias de ação do clube. Pede ajuda pra montar uma primeira versão mensal. A IA faz o rascunho. Você coloca a realidade da canoa.
Fazer uma clínica ou uma remada especial nas férias? Pergunta: “Quais são as dez coisas que preciso pensar antes de realizar isso?”
Talvez não venha a resposta perfeita. Mas provavelmente vem um começo.
Se o clube acompanha frequência ou participação nas atividades, tem coisa ali que vale olhar. Qual turma perdeu adesão? Que experiência mobilizou mais gente? Alguém começou a faltar mais?
A tecnologia pode ajudar a organizar essa leitura, inclusive evitando compartilhar informações pessoais que não são necessárias. Mas, falando sobre informações pessoais, tenha muito cuidado ao compartilhar determinados dados pessoais (seus e de seus alunos) com as IA’s. Essa é uma prática não recomendada por especialistas, pois toda informação que você coloca em uma plataforma de inteligência artificial é usada para treiná-la e passa a fazer parte de seu banco de dados.
A IA pode ajudar a organizar informações sobre vento e mar. Mas não deve decidir se a canoa sai. Pode te ajudar a preparar uma conversa difícil. Mas não deve conversar com o aluno no seu lugar.
A IA pode sugerir respostas. Mas quem responde por elas continua sendo você. E, convenhamos, ela também erra.
Por isso gosto de uma regra simples: use a inteligência artificial pra apoiar seu julgamento, não pra substituir.
Tem uma opção brasileira interessante e gratuita hoje em dia. O Negócio em dIA, iniciativa do Sebrae, Google, Itaú Unibanco, Tera e Blip, foi criado justamente pra aproximar a inteligência artificial da rotina de pequenos e médios empreendedores.
A proposta é “menos curso, mais ação”, com conteúdos objetivos e atividades práticas sobre vendas, marketing, gestão, produtividade e organização da operação. Pode ser uma boa porta de entrada pra quem se perguntou: “Tudo bem. Mas como começo?”
Talvez essa seja minha principal sugestão. Não comece pela tecnologia mais sofisticada. Comece pela tarefa repetitiva que mais rouba seu tempo. Uma mensagem. Uma lista. Uma ata. Um calendário. Um checklist. Testa uma coisa. Depois outra. Se a IA devolver vinte minutos aqui e meia hora ali, talvez ela já esteja cumprindo um papel importante.
Porque esse tempo pode voltar pra aquilo que nenhuma tecnologia deveria substituir: Conversar com os alunos. Perceber quem chegou e quem está sumindo. Cuidar da base. Observar o mar. E estar presente naquela cena da foto.