
Guilherme Cunha: Nova geração chega junto no Aloha Spirit Cabo Frio
Grande destaque da nova geração do stand up paddle, Guilherme Cunha rema por títulos no Aloha Spirit Cabo ... leia mais

Na noite da última quarta-feira (16), o Aloha Spirit Tv trouxe um debate polêmico para a comunidade do stand up paddle brasileiro. Conduzida por João Castro, criador e diretor de prova do consagrado Aloha Spirit Festival, a live abordou sem rodeios o atual cenário do SUP no país. Com o título provocativo “O encolhimento do SUP no Brasil”, a transmissão contou com a participação dos atletas amadores Welber Simões de Almeida e Silvana Mondelo, que trouxeram suas visões sobre as complexas razões por trás da queda de participação do esporte em competições.
João Castro iniciou a conversa com um tom de preocupação pessoal e urgência. Revelando dados alarmantes de seu próprio evento, o Aloha Spirit, que viu o número de inscritos no SUP cair de uma média de 180 para menos de 100 no último ano. “Se eu falar pra você que não estou [preocupado], eu estou mentindo”, confessou Castro, estabelecendo a gravidade da situação.
Ele relembrou com nostalgia as largadas massivas que marcaram o auge do esporte e questionou abertamente o que levou a essa diminuição drástica. Com uma autocrítica, Castro admitiu a parcela de responsabilidade do próprio Aloha Spirit, citando a falta de um cuidado mais atento com as categorias de base, como a Kids. A sua condução foi a de quem está dentro do furacão, buscando respostas não apenas como organizador de eventos, mas como um apaixonado pela modalidade que teme vê-la seguir o caminho de outras que perderam espaço no festival, como o surfski.
Os convidados, Welber Simões e Silvana Mondelo, trouxeram perspectivas que enriqueceram o debate. Suas falas deixaram claro que não há uma única resposta para o fenômeno.
Silvana Mondelo apontou para uma confluência de fatores. O poder aquisitivo foi um dos primeiros a ser mencionado. “A pessoa às vezes tem o dinheiro pra ter uma prancha, mas não tem dinheiro pra participar de campeonato”, explicou, ressaltando que a crise econômica pós-pandemia tornou a participação em um circuito anual de provas um luxo para poucos.
Além do fator financeiro, ela tocou em um ponto nevrálgico: a divisão política no esporte. A existência de diferentes federações e organizações criou um ambiente polarizado, comparando a situação à política brasileira, onde os atletas se sentem pressionados a escolher um lado, o que acaba por afastar muitos do ambiente competitivo.
Welber Simões, por sua vez, trouxe uma visão mais técnica, argumentando que a mudança de padronização das pranchas de 12’6″ para 14 pés foi um marco que iniciou o declínio, impactando diretamente os atletas amadores. Ele se descreveu como um “trabalho de formiguinha”, alguém que ativamente incentiva a participação em eventos menores, mostrando que a paixão ainda existe na base, mesmo que longe dos grandes holofotes.
A discussão levantou a pergunta que paira sobre o futuro do esporte: o stand up paddle está, de fato, diminuindo ou o perfil do praticante é que está mudando? A fala de Silvana foi emblemática: “A maioria que pratica o stand up paddle não está nos campeonatos. A gente precisa entender o porquê“.
Essa observação sugere que, enquanto o número de atletas dispostos a arcar com os custos e as complexidades do circuito competitivo diminui, o número de praticantes de lazer pode estar estável ou até mesmo crescendo. A live deixou no ar a ideia de que o SUP pode estar migrando de uma febre competitiva para uma atividade mais consolidada de bem-estar e contato com a natureza.
O desafio, como apontado por todos na live, é entender essa nova realidade. É preciso criar pontes entre o praticante de fim de semana e o evento competitivo, talvez com categorias mais inclusivas, eventos com custos mais baixos e, acima de tudo, um esforço conjunto de marcas ligadas ao stand up paddle, atletas e organizadores. A live promovida não trouxe respostas definitivas, mas cumpriu o papel essencial de iniciar um diálogo indispensável para a sobrevivência e reinvenção do stand up paddle competitivo no Brasil.
Assista à live na íntegra: