
A Onda Mental Chegou!
Cada vez mais atletas e treinadores reconhecem que a diferença entre o comum e o extraordinário está na mente

Os esportes de aventura e o remo oceânico — abrangendo o paddleboard, canoa polinésia, SUP e surfski — vivem uma era de profissionalização sem precedentes. No entanto, alcançar resultados excepcionais em águas abertas exige mais do que apenas disposição; demanda uma compreensão profunda da relação entre carga de treino e resposta biológica.
Por muito tempo, o monitoramento de atletas focou na simples pergunta: “você está cansado?”. A ciência esportiva moderna propõe agora um modelo de “efeitos de treinamento”. Em vez de classificações binárias (pronto ou não pronto), o foco está em entender se o estresse imposto resulta em adaptação positiva, manutenção ou má adaptação. O cansaço não é mais um inimigo a ser evitado a qualquer custo, mas um sinal que deve ser avaliado dentro do contexto do ciclo de carga: um declínio temporário pode ser desejável em blocos de sobrecarga para gerar evolução futura.
Para o remador, a técnica é a chave da economia de energia. O movimento deve ser dividido em quatro fases críticas: ataque, agarre, tração e desmanche. Contudo, a técnica sozinha não sustenta a performance sem a base física. O treinamento deve respeitar o Princípio da Individualidade, reconhecendo que cada atleta responde de forma única devido à genética e ao histórico. Além disso, a consistência é inegociável: treinar no mínimo três vezes por semana é o patamar básico para sentir resultados reais.
Para Rabelo (2026) quem busca alta performance, a recomendação atual é o framework MAP (Mínimo, Adequado e Preciso). Isso significa escolher ferramentas de monitoramento que sejam econômicas em tempo e recursos, mas precisas o suficiente para gerar dados acionáveis. Indicadores como a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) e a percepção subjetiva de esforço são essenciais para ajustar a carga diária e evitar o overtraining.
Não se pode negligenciar o “treino invisível”. O descanso é parte integrante do plano. O sono de 7 a 8 horas por noite e a nutrição adequada (carboidratos para energia e proteínas para recuperação) são os pilares que permitem ao corpo absorver a carga de treino. No mar, a segurança é prioridade máxima: dominar a natação em águas abertas é considerado um “seguro de vida” para qualquer praticante.
O estado de má adaptação é considerado um desfecho negativo do treinamento, ocorrendo quando o estresse imposto (carga) supera a capacidade do atleta de se recuperar e se adaptar. Os sinais de alerta podem ser observados em diversas dimensões:
A performance no remo e nos esportes de prancha hoje é um equilíbrio entre a tradição do esforço e a precisão da tecnologia. Seja através de simuladores de realidade virtual ou de análises genéticas, o futuro aponta para um treinamento cada vez mais personalizado. No final, o segredo do pódio reside na capacidade de ouvir o próprio corpo e ajustar a rota conforme a ciência e as condições do mar exigirem.
Referência: REBELO, André et al. Monitoring Training Effects in Athletes: A Multidimensional Framework for Decision-Making. Sports Medicine, [s. l.], 13 mar. 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s40279-026-02417-4.