
Projeto verão 2025: Ainda dá tempo de entrar em forma?
Faltam aproximadamente 6 semanas para a chegada do verão 2025, será que ainda dá tempo de entrar em forma ... leia mais

Janeiro chega como uma página em branco. Um convite silencioso para recomeçar, reorganizar pensamentos e, principalmente, olhar para dentro. O Janeiro Branco não fala de metas, números ou performances externas. Ele fala de emoção. Daquilo que sentimos, muitas vezes em silêncio, enquanto seguimos remando a vida.
Recentemente, na Corrida Internacional de São Silvestre, vimos uma cena simbólica: o atleta que vinha em primeiro lugar foi ultrapassado nos metros finais pelo segundo colocado. O que parecia decidido mudou em instantes. A diferença não estava apenas no preparo físico, mas no emocional, na capacidade de sustentar foco, presença e gestão interna até o último passo. A corrida mostrou, mais uma vez, que mente e emoção decidem tanto quanto o corpo.
Na canoa havaiana, aprendemos cedo que emoção ignorada pesa no remo. Não aparece de imediato, mas desalinha o ritmo, compromete a escuta do outro e cansa antes do tempo. A mente desconectada do coração perde o compasso. E a canoa, que é coletiva, sente.
Como psicóloga e atleta, observo que janeiro costuma ser um mês paradoxal: por fora, expectativas; por dentro, exaustão. O corpo até descansa, mas a mente continua acelerada. É justamente aí que o Janeiro Branco nos chama: como estão suas emoções hoje? Você tem escutado o que sente ou apenas empurrado para depois?
Falar de saúde mental não é falar de fraqueza. É falar de responsabilidade emocional. É entender que cuidar da mente é tão essencial quanto treinar o corpo. No esporte, ninguém evolui ignorando limites ou sinais de alerta. Na vida, deveria ser igual.
Na canoa, o mar ensina. Há dias de água lisa e dias de mar mexido. Nenhum é errado. Ambos exigem presença, consciência e respeito. Assim também são as emoções: algumas confortam, outras desafiam, mas todas trazem mensagens importantes sobre quem somos e do que precisamos.
Que este Janeiro Branco seja menos sobre promessas e mais sobre presença emocional. Menos cobrança e mais autocuidado. Que possamos aprender a remar e a correr, com o que sentimos, ajustando o ritmo quando necessário.
Porque, no fim, seja no mar, na pista ou na vida, seguir em frente com saúde emocional não é sobre chegar mais rápido. É sobre chegar inteiro.