Janeiro Branco: quando a emoção pede escuta

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Janeiro branco
O Janeiro Branco não fala de metas, números ou performances externas. Ele fala de emoção. Daquilo que sentimos, muitas vezes em silêncio, enquanto seguimos remando a vida. Foto: Imagem gerada por IA

Janeiro chega como uma página em branco. Um convite silencioso para recomeçar, reorganizar pensamentos e, principalmente, olhar para dentro. O Janeiro Branco não fala de metas, números ou performances externas. Ele fala de emoção. Daquilo que sentimos, muitas vezes em silêncio, enquanto seguimos remando a vida.

Recentemente, na Corrida Internacional de São Silvestre, vimos uma cena simbólica: o atleta que vinha em primeiro lugar foi ultrapassado nos metros finais pelo segundo colocado. O que parecia decidido mudou em instantes. A diferença não estava apenas no preparo físico, mas no emocional, na capacidade de sustentar foco, presença e gestão interna até o último passo. A corrida mostrou, mais uma vez, que mente e emoção decidem tanto quanto o corpo.

Na canoa havaiana, aprendemos cedo que emoção ignorada pesa no remo. Não aparece de imediato, mas desalinha o ritmo, compromete a escuta do outro e cansa antes do tempo. A mente desconectada do coração perde o compasso. E a canoa, que é coletiva, sente.

Como psicóloga e atleta, observo que janeiro costuma ser um mês paradoxal: por fora, expectativas; por dentro, exaustão. O corpo até descansa, mas a mente continua acelerada. É justamente aí que o Janeiro Branco nos chama: como estão suas emoções hoje? Você tem escutado o que sente ou apenas empurrado para depois?

Falar de saúde mental não é falar de fraqueza. É falar de responsabilidade emocional. É entender que cuidar da mente é tão essencial quanto treinar o corpo. No esporte, ninguém evolui ignorando limites ou sinais de alerta. Na vida, deveria ser igual.

Na canoa, o mar ensina. Há dias de água lisa e dias de mar mexido. Nenhum é errado. Ambos exigem presença, consciência e respeito. Assim também são as emoções: algumas confortam, outras desafiam, mas todas trazem mensagens importantes sobre quem somos e do que precisamos.

Que este Janeiro Branco seja menos sobre promessas e mais sobre presença emocional. Menos cobrança e mais autocuidado. Que possamos aprender a remar e a correr, com o que sentimos, ajustando o ritmo quando necessário.

Porque, no fim, seja no mar, na pista ou na vida, seguir em frente com saúde emocional não é sobre chegar mais rápido. É sobre chegar inteiro.

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