
Jessika Moah confirmada no Festival Brasileiro de Remada
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A canoagem polinésia continua a quebrar barreiras de inclusão no Brasil. Após a atleta Cecília Faour, de Santos (SP), fazer história ao inaugurar a categoria VL4 para deficientes visuais durante o Campeonato Brasileiro de Va’a Sprint Brasília em 2023. No ano seguinte, foi a vez da carioca Raquel Souza despontar na categoria, vencendo o campeonato brasileiro da CBVA’A e conquistando uma vaga para representar o Brasil no Mundial de Singapura. Agora, um novo nome desponta no cenário do esporte, desta vez entre os homens, no estado do Rio de Janeiro.
Erickson Barreto, de 54 anos, morador de Maricá (RJ), no entanto, é deficiente visual com cegueira. A VL4 engloba pessoas com deficentcia visual, como é o caso de Cecilia e Raquel, até pessoas com cegueira, como é o caso de Erickson, que encontrou na modalidade uma paixão que exige dedicação e superação logística. Como sua cidade natal ainda não oferece a prática da canoa havaiana, apesar da existência do projeto local Navegar, o atleta viaja de duas a três vezes por semana para Niterói, onde realiza seus treinamentos no clube Naves, situado na praia de Charitas.
O esforço contínuo rendeu frutos no último dia 1º de agosto. Ao participar de uma competição oficial da federação estadual de canoagem (FECARJ), Erickson marcou seu nome no esporte fluminense ao se tornar o primeiro paratleta com deficiência visual a completar e vencer uma prova na categoria individual V1 (VL4) no estado. A prova contou com a participação de mais dois paracanoístas na raia: Rodrigo e o Lázaro.
Na classe VL4, a dinâmica exige grande sintonia: o competidor rema sozinho dentro da canoa V1, sendo direcionado por outro remador que atua como guia em uma embarcação paralela.
“Essa conquista foi ainda mais especial porque a categoria para deficientes visuais foi aberta e homologada nessa competição. Para realizar a prova com segurança e excelência, contei com a ajuda preciosa do Kauan, um jovem de apenas 18 anos que teve toda a disponibilidade e boa vontade de ir em uma segunda canoa me orientando. Foi uma verdadeira união entre a minha experiência, aos 54 anos, e a juventude dele, permitindo que eu passasse pela raia e marcasse um ótimo tempo“, relata Erickson Barreto.
A homologação desta prova no Rio de Janeiro representa um marco estrutural para a Va’a, criando novas oportunidades para que outros clubes e paratletas ingressem nas competições oficiais.
Mantendo o foco e uma rotina intensa de treinamentos visando futuras conquistas no Campeonato Brasileiro, o remador deixa um apelo para o fomento do esporte em sua região. “Espero que Maricá possa apoiar esse projeto e trazer essa modalidade de canoa havaiana para a nossa cidade”, conclui o campeão.