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O remador franco-americano Cyril Derreumaux completou nesta semana sua travessia do oceano atlântico de caiaque, remando sozinho por 71 dias, 14 horas e 57 minutos. A jornada começou em 23 de dezembro de 2024, partindo da Ilha El Hierro, nas Canárias, e terminou em Le Marin, na Martinica, em 4 de março de 2025, às 20h02, somando 4.630 quilômetros (2.500 milhas) movido exclusivamente pela força dos braços.
A chegada de Derreumaux coincidiu com as festividades do Mardi Gras na Martinica, onde foi recebido com entusiasmo pela multidão reunida na marina de Le Marin. Apesar de não ser o primeiro a atravessar o Atlântico a remo — um feito inaugurado pelo navegador brasileiro Amyr Klink em 1985 — e nem o mais rápido, o atleta de 48 anos celebrou a conquista como uma vitória pessoal. “Por 71 dias não vi nenhum ser humano, não andei, não vi a terra: era apenas o oceano a 360°. Há o lado mental que é muito importante. E então há a paixão, o desejo de empurrar os próprios limites e de se descobrir na dificuldade. Aprendemos muito e nos tornamos alguém diferente“, declarou emocionado.

A embarcação de Cyril, batizada de Valentine em homenagem à sua irmã, também carrega um nome simbólico: “Resiliência” — uma palavra que traduz com precisão a essência da expedição. As primeiras semanas da travessia foram particularmente desafiadoras, marcadas por ventos fortes, noites em que a correnteza anulava o progresso do dia e períodos em que ele precisou se refugiar em sua pequena cabana, que apelidou de “casulo”. Além do esforço físico extremo, a resistência mental foi um fator determinante para o sucesso da jornada.

Essa não foi a primeira grande façanha de Cyril Derreumaux no mar. Ele já detém dois recordes do Guinness relacionados à travessia do Oceano Pacífico. Em 2016, ao lado de três companheiros, estabeleceu um recorde de velocidade ao remar entre Monterey, Califórnia, e Oahu, no Havaí, em pouco mais de 39 dias. Em 2022, levou 91 dias para repetir o trajeto, desta vez sozinho, tornando-se a primeira pessoa a cruzar o Pacífico de caiaque sem assistência e movido apenas pela força humana.
Agora, após conquistar os dois maiores oceanos do planeta, Cyril Derreumaux descansa em terra firme na Martinica. Enquanto se adapta à rotina longe do mar, ele planeja passar alguns dias antes de retomar sua vida como empreendedor e palestrante, possivelmente já pensando em um novo projeto de ultra-resistência.