Mundial de SUP 2026: Campeões coroados e o balanço da participação brasileira

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Mundual de SUP Italia
Competidores em ação nas águas do Lago di Paola, em Sabaudia, Itália, durante o Campeonato Mundial de Stand Up Paddle 2026. O evento reuniu quase mil atletas de cerca de 60 países. Foto: Damiano Benedetto / Paddle Worldwide

O Campeonato Mundial de Stand Up Paddle encerrou suas atividades neste domingo (18), em Sabaudia, na Itália, consolidando-se entre os maiores eventos da história da modalidade. Com as águas do Lago di Paola como cenário, a competição reuniu quase mil atletas de cerca de 60 países, entregando disputas de altíssimo nível nas categorias Sprint, Race Técnico e Longa Distância.

Enquanto potências internacionais celebraram pódios e consolidaram seus ídolos, o Brasil vivenciou um campeonato de contrastes. A participação nacional evidenciou o esforço e a resiliência de seus competidores, mas também escancarou a dura realidade do stand up paddle de alto rendimento no país.

O domínio dos campeões globais

O Mundial na Itália foi marcado pela enorme variedade de modalidades e categorias, incluindo a Inflável e a estreia da Sprint Foil. Já nas categorias tradicionais, confirmaram-se os grandes favoritos nos pódios. Na cobiçada prova de Longa Distância, o ouro ficou com a húngara Csillag Kocsis no feminino e com o fenômeno japonês Shuri Araki no masculino, que também garantiu o topo no Exhibition Foil.

No Race Técnico, a porto-riquenha Mariecarmen Rivera e o espanhol Aaron Sanchez ditaram o ritmo e levaram o título. Já nas explosivas provas de Sprint de 100 metros, a italiana Cecilia Pampinella fez a alegria da torcida local ao conquistar o ouro, acompanhada pelo lituano Vadim Korobov no masculino.

Daniela Paiva é o destaque brasileiro

Mundial de SUP Sabaudia
Dani Paiva chegou à grande final do Sprint de 100m na Mater 40 e ficou a poucos segundos da medalha, garantindo o melhor resultado do Brasil na competição. Foto: Arquivo pessoal

Apesar da magnitude do evento, o Brasil foi representado por uma delegação enxuta, composta por apenas seis atletas: Rebeka Klotz, Scarlett Miranda, Daniela Paiva, David Leão, Giuseppe “Pépi” Nunes e Rudah Bosi.

O baixo número de competidores reflete a crise de incentivo ao SUP de alto rendimento no Brasil. Vale destacar que todos viajaram por conta própria, dependendo do apoio de prefeituras, apoiadores e amigos. O exemplo mais latente dessa dificuldade foi a ausência de Guilherme dos Reis. O atual campeão pan-americano, que seria uma das nossas maiores chances de medalha na competição, precisou cancelar sua viagem por falta de recursos financeiros, mesmo após organizar uma rifa solidária online que não atingiu a meta.

Enfrentando os melhores atletas do mundo, os brasileiros tiveram dificuldades para avançar nas chaves principais. Nenhum atleta do país conseguiu se classificar para as finais da prova de Race Técnico. O cenário se repetiu no Sprint, com uma única e honrosa exceção.

O grande destaque da delegação foi Daniela Paiva. A atleta foi a única representante do Brasil a alcançar uma final A no Mundial, disputando o Sprint Race na categoria Master 40+ Feminino. Dani terminou a prova na 5ª colocação, ficando muito próxima de conquistar uma medalha e registrando o melhor resultado do país em toda a competição.

É importante destacar como funciona o sistema de classificação nas provas de Race Técnico e Sprint Race, que ocorre por meio de chaveamento de baterias. Os competidores disputam vagas em três finais: a Final A (que vale as medalhas de ouro, prata e bronze), a Final B e a Final C. Nas baterias eliminatórias, o 1º e o 2º colocados avançam para a Final A (que define do 1º ao 8º lugar geral); o 3º e o 4º vão para a Final B (do 9º ao 16º lugar); e o 5º e o 6º classificam-se para a Final C (do 17º ao 24º lugar). Apenas os atletas que chegam a pelo menos uma dessas três finais têm seus resultados computados no ranking oficial do campeonato, enquanto os demais ficam de fora da classificação final.

Resultados oficiais dos atletas brasileiros na Longa distância e finais Sprint

AtletaModalidadeCategoriaColocação Final
Daniela Paiva Sprint 100mMaster 40+ Feminino5º lugar
Rebeka KlotzLonga DistânciaJunior Feminino15º lugar
Daniela Paiva Race TécnicoMaster 40+ Feminino18º lugar
Rebeka KlotzRace TécnicoJunior Feminino20º lugar
Daniela Paiva Longa DistânciaMaster 40+ Feminino22º lugar
Rudah BosiRace TécnicoOpen Masculino22º lugar
Rudah BosiLonga DistânciaOpen Masculino24º lugar
Scarlett MirandaLonga DistânciaOpen Feminino37º lugar
Davi LeãoRace TécnicoOpen Masculino50º lugar
Giuseppe NunesLonga DistânciaJunior Masculino70º lugar

Os resultados oficiais de todas as provas e categorias podem ser conferidos AQUI.

Paddle Worldwide: apoio bem-vindo, alerta necessário

Outro ponto que vale a pena refletir é a ascensão da ICF, rebatizada de Paddle Worldwide, frente à inércia da ISA na organização global do stand up paddle. A grande questão é que a Paddle Worldwide tem uma pegada excessivamente voltada à canoagem em águas abrigadas, mas o SUP é um esporte que nasceu no mar do Havaí e é herdeiro do surfe. Se, por um lado, há um aspecto positivo em ver uma entidade desse porte vestindo a camisa do SUP, por outro, fica o alerta para que a PW entenda melhor a personalidade do SUP e comece a realizar provas em mar aberto, com ondas, e não somente em água parada. O SUP não é canoagem e, por isso, deve ser tratado de maneira apropriada.

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