
A história inspiradora das primeiras mulheres a remarem de Molokai a Oahu
Conheça a inspiradora história das primeiras mulheres que desbravam as águas do canal de Molokai a Oahu ... leia mais

A relação entre o homem e o mar sempre rendeu grandes histórias, mas em Armação dos Búzios (RJ), essa conexão tem reescrito o destino de dezenas de jovens. O impacto do Projeto Zezinho, uma iniciativa local de remadores de canoa polinésia, ultrapassou as fronteiras do esporte e ganhará as telas do cinema com o documentário “Remando pelo Futuro”, uma produção que promete levar a inclusão social e a cultura oceânica brasileira para o circuito internacional de festivais.
Nascido da relação de irmandade com os pescadores locais, o Projeto Zezinho foi idealizado por Claudete Gaiga (Claudete Turismo) como uma homenagem ao pescador José Faria, carinhosamente conhecido como “Zezinho”. A iniciativa sem fins lucrativos tem como pilar a preservação do legado da pesca artesanal tradicional, unindo-a aos valores milenares da canoa polinésia.
Atualmente, o projeto atende gratuitamente mais de 60 alunos. Sob a tutela de profissionais como o Campeão Sul-Americano de Va’a, Juan Combothanassis Ali, e o instrutor Murilo Gomes, as crianças aprendem muito além da técnica da remada. O currículo prático envolve segurança marítima, responsabilidade ambiental e trabalho em equipe, formando mais que atletas (inclusive campeões estaduais e nacionais), mas, sobretudo, cidadãos conscientes.
O grande diferencial que atraiu os holofotes do cinema para Búzios foi o poder de inclusão da iniciativa. O documentário foca especificamente em como a canoa se tornou uma ferramenta terapêutica e de pertencimento para crianças que convivem com condições como autismo, TDAH, dislexia e hiperatividade.
No ambiente dinâmico do oceano, essas crianças encontram liberdade e confiança. A proposta do projeto, agora documentada em vídeo, é provar que a convivência com o mar ajuda a superar barreiras invisíveis, permitindo que os jovens reconheçam suas próprias capacidades e se tornem agentes de mudança em suas comunidades.
Produzido pela Ribelle Studios BR, “Remando pelo Futuro” tem a direção de Pedro Painhas, que encontrou na vulnerabilidade e na força dessas crianças a narrativa central de sua obra. O diretor destaca a imersão profunda que o esporte proporciona como elemento cinematográfico.
“Fui atraído por esta história porque remar oferece uma perspectiva única. Não há distância entre a pessoa e o ambiente. Você sente a água sob você, o clima ao seu redor, a dimensão da paisagem e também a sua vulnerabilidade”, explicou Painhas à imprensa local.
Sobre os bastidores, o diretor foi ainda mais enfático sobre o peso emocional da produção: “Há aproximadamente três meses eu embarquei em uma jornada incrível, onde produzi o documentário mais marcante da minha carreira até o momento. Um filme sobre a relação de crianças especiais com o mar. Elas carregam consigo mesmas histórias e dificuldades inimagináveis. Mas graças ao gigante azul e à canoa havaiana, elas encontraram uma nova chance”.
Antes de chegar ao grande público, a obra tem um caminho ambicioso traçado. Com estreia oficial prevista apenas para 2027, “Remando pelo Futuro” passará os próximos anos buscando espaço e reconhecimento em um rigoroso circuito de festivais internacionais de cinema.
Entre os eventos no radar da produção estão o prestigiado Sundance Film Festival, Cannes Film Awards, Ocean Film Festival World Tour, Wild & Scenic Film Festival, entre outros. A expectativa da equipe é que o filme seja premiado em diversas categorias, levando a mensagem de inclusão de Búzios para o mundo.
O Projeto Zezinho prova que o esporte de base, quando aliado a um propósito genuíno, é uma das ferramentas mais eficazes de transformação social. Como bem resumiu o diretor Pedro Painhas, a expectativa é que o público termine o filme repensando sua própria relação com o meio ambiente e o papel de cada um na construção do futuro dessas gerações.