
Pernada: Como ser mais eficiente e nadar melhor
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Fala, moçada! Quem me acompanha nas redes sociais sabe que, recentemente, tenho acompanhado diversos atletas em ultramaratonas aquáticas, tanto no Brasil quanto no exterior. Por isso, resolvi aproveitar este espaço para esclarecer algumas dúvidas que muitos atletas têm me feito sobre o trabalho do treinador-guia.
Encarar uma prova de longa duração vai muito além do preparo físico. Quanto maior o desafio, mais importantes se tornam o planejamento, a estratégia, a capacidade de adaptação e a tomada de decisões ao longo da jornada. Nas ultramaratonas aquáticas, fatores como correntes, ventos, ondas, condições climáticas e muitas horas de esforço tornam essa preparação ainda mais importante.
O grande diferencial de contar com um treinador-guia está justamente na combinação entre o conhecimento técnico da modalidade e a capacidade de avaliar o estado físico e mental do atleta durante todo o percurso.
Correntezas, ventos, ondas, mudanças de direção, condições de entrada e saída da água e até situações inesperadas podem exigir adaptações tanto no nado quanto na estratégia de prova. Da mesma forma, o planejamento de alimentação e hidratação pode precisar ser ajustado de acordo com a resposta do atleta e as condições encontradas durante a travessia.
Nem sempre o atleta consegue interpretar essas situações com clareza enquanto está enfrentando o desafio. Nesses momentos, ter ao lado alguém experiente, que conhece a modalidade e sabe avaliar cada cenário, faz toda a diferença.
Além do desafio físico, provas longas também exigem um enorme preparo mental. Cansaço, desconforto, náuseas, estresse e momentos de desmotivação podem surgir após horas de esforço. Ter ao lado alguém que conhece o atleta, entende o desafio e, muitas vezes, já viveu aquela experiência ou percorreu o mesmo trajeto transmite muito mais segurança em um momento que exige atenção aos detalhes e foco total para alcançar o objetivo.
O treinador-guia também é fundamental para avaliar quando é possível seguir em frente, quando é necessário ajustar a estratégia e, principalmente, quando a decisão mais segura é interromper a tentativa. Durante o nado, por exemplo, se a frequência de braçadas do atleta baixa muito, pode ser que ele esteja entrando em estado de hipotermia, hipertermia ou desidratação, um risco que pode trazer complicações graves para a integridade física do nadador.
Assim, seu papel é transformar meses de preparação em uma estratégia capaz de se adaptar ao que acontece na prática. E esse trabalho começa muito antes da prova. Tudo é planejado a partir de um treinamento específico para o objetivo do atleta, levando em consideração sua rotina, disponibilidade e nível de condicionamento.
Testes e o acompanhamento constante dos treinos ajudam a definir ritmos, avaliar a evolução e realizar os ajustes necessários ao longo da preparação.Dados de plataformas e dispositivos como Garmin, Strava e Polar podem ser combinados ao feedback do próprio atleta sobre sensações, dificuldades e evolução durante os treinos.
Esse acompanhamento também permite que o treinador conheça cada vez melhor as respostas do atleta ao esforço. Com o tempo, essa troca constrói não apenas um melhor condicionamento físico e técnico, mas também uma estratégia individualizada para cada desafio.
Espero ter esclarecido um pouco mais sobre o papel do treinador-guia e mostrar que esse trabalho vai muito além de simplesmente acompanhar o atleta durante a prova. O objetivo é oferecer segurança, estratégia e tranquilidade para que cada pessoa tenha as melhores condições de alcançar seu desafio. Voltamos em breve com mais dicas!