
Remador morre durante prova de va’a na Polinésia Francesa
Remador da ilha de Moorea, na Polinésia Francesa, morre durante acidente durante as disputas de va'a da ... leia mais

O havaiano Kai Bartlett, referência mundial na canoa havaiana, morreu neste sábado (28) em decorrência de um câncer, após uma longa batalha contra a doença. Ícone do va’a e respeitado tanto como atleta quanto como fabricante e designer de embarcações de alto desempenho, Bartlett deixa um legado técnico e esportivo que influenciou gerações de remadores dentro e fora do Havaí.
Em 2022, Kai revelou que iniciaria um tratamento contra um tipo agressivo de câncer, submetendo-se a uma série de sessões intensas de quimioterapia. Nos anos seguintes, travou uma batalha intensa contra a doença, que teve seu desfecho hoje.
Nativo de Kailua, na ilha de Oahu, Bartlett começou relativamente tarde na canoa polinésia. Ele passou a competir de OC-6 em 1998, aos 23 anos, pelo tradicional Lanikai Canoe Club. Em pouco tempo, seu nome passou a ser associado à elite do esporte no Havaí. Em 2003 mudou-se para Maui, mantendo-se inicialmente ligado ao Lanikai até 2005, quando passou a integrar a equipe do Hawaiian Canoe Club, em Kahului, e mais tarde o lendário time Team Primo, formado por remadores do Wailea Canoe Club.
No cenário das grandes travessias, Bartlett consolidou sua reputação. Com o Team Primo, ajudou a estabelecer, em 2011, o recorde de melhor tempo de uma equipe havaiana na tradicional Molokai Hoe. A marca de 4 horas, 42 minutos e 59 segundos colocou a equipe em destaque na história da prova e reforçou a imagem de Bartlett como um dos mais consistentes remadores de longa distância da sua geração.

Na OC1, Bartlett tornou-se conhecido como mestre do downwind, dominando condições de vento e ondulação oceânica com alto nível de leitura do mar. Essa experiência prática em ambientes exigentes influenciaria diretamente sua atuação posterior como designer de canoas e surfskis, aproximando a performance do equipamento das necessidades reais dos atletas.
Em 2001, fundou a Kai Wa’a Canoes, marca dedicada à fabricação de canoas havaianas (OC-1 e OC-2) e caiaques de alto rendimento. Ao longo dos anos, a empresa consolidou uma parceria com a Outrigger Zone, o que permitiu ampliar a produção e distribuição internacional. Bartlett atuava diretamente no desenvolvimento de projetos, testando e refinando os modelos com base em sua vivência competitiva.
Entre os modelos mais conhecidos assinados por ele está a Ares, OC1 que se tornou uma das canoas mais vendidas do mundo e presença constante em treinos e competições de va’a em diversos países. Especialistas e atletas costumam apontar que o trabalho de Bartlett como designer foi fundamental para a evolução técnica das canoas modernas, incorporando soluções que hoje são padrão em competições de alto nível.
Em anos recentes, ele também se dedicou ao desenvolvimento e refinamento de surfskis, conectando o universo da canoa havaiana ao do caiaque oceânico de desempenho. Sua atuação abrangia todo o ciclo, da concepção do casco à testagem em treinos e provas, passando pela construção de uma rede de distribuição global. No comando da Kai Wa’a, Bartlett se apresentava como o “rosto” da marca, articulando relações com atletas, clubes e parceiros comerciais.
Ao longo da trajetória, Bartlett era frequentemente descrito por colegas de equipe e adversários como um atleta disciplinado, atento aos detalhes e comprometido com o desenvolvimento coletivo dos times em que remava. Sua passagem por clubes como Lanikai, Hawaiian Canoe Club e Team Primo foi marcada por projetos de longo prazo, baseados em treinamentos consistentes e em um forte espírito de grupo.
Com sua morte, a va’a perde uma figura central na transição da modalidade para um patamar mais profissionalizado, tanto em termos de performance atlética quanto de tecnologia embarcada. A combinação de experiência prática em downwind, leitura de mar, conhecimento de materiais e entendimento das exigências dos atletas colocou Bartlett em uma posição singular na história recente do esporte.
Kai Bartlett tinha 50 anos e deixa esposa e três filhos. A equipe Aloha Spirit Mídia presta condolências aos familiares e amigos pela partida de um grande mestre da canoagem havaiana, cujo legado certamente permanecerá entre nós.