
Circunavegar a América do Norte: o atual desafio da remadora Freya Hoffmeister
Após circunavegar toda a América do Sul, remadora alemã quer ser a primeira pessoa a contornar toda a ... leia mais

A Bravus Va’a segue. Segue porque nunca aprendeu a parar, porque nunca fez sentido dar meia-volta quando o horizonte ainda está aberto. Desde o início, a ideia sempre foi simples e antiga: sair de um ponto e chegar a outro usando apenas canoa, braço, cabeça e respeito pelo mar. Nada além disso. É assim que essa jornada pela costa do Brasil continua, sem anúncio exagerado, sem promessa vazia, apenas com mais um desafio colocado sobre a mesa, já com data marcada para o dia 7/02/2026 e equipe definida.
O próximo trecho será entre Angra dos Reis e Paraty, um desafio de cerca de sessenta quilômetros feito como se fazia antes, sem revezamento, sem barco de apoio, sem ninguém para resolver problema no meio do caminho. Uma remada raiz, daquelas que não permitem erro bobo e não aceitam desistência. Quem entra, entra sabendo que não há plano B e que cada decisão tomada antes da largada vai cobrar seu preço lá na frente.
O caminho escolhido não é aleatório. A canoa vai costear praias, ilhas e pontos que carregam história e respeito, passando pela Ponta da Piedade, pela Praia do Laboratório, pela Ilha do Sandri, Ilha do Cedro, Ilha do Pico e Ilha do Araújo. Não é turismo, é passagem. É remar olhando a costa como referência, entendendo o vento, a corrente, como sempre foi feito.
Sem apoio externo, cada remador carrega o que precisa para sobreviver no desafio. Até quatro litros de água, comida contada e organizada dentro de uma sacola estanque de no máximo sete litros, porque espaço e peso não são detalhes, são regras. O excesso cobra caro, a falta cobra mais ainda. Tudo precisa estar pensado antes, porque no mar não existe improviso que dê certo por muito tempo.
Serão no mínimo oito horas no mar, com seis a sete horas de remada contínua, tempo suficiente para o corpo cansar, a cabeça testar limites e o grupo mostrar se é, de fato, um grupo. Esse tipo de remada não perdoa vaidade nem tolera individualismo. Ou todos seguem juntos, ou ninguém chega inteiro.
A Bravus Va’a continua porque esse sempre foi o propósito. Remar a costa do Brasil, ligar pontos no mapa usando o próprio corpo, manter viva uma forma antiga de navegar que exige mais caráter do que equipamento. Não é sobre chegar rápido, é sobre chegar do jeito certo. E quem entende isso sabe: algumas travessias não são feitas para provar nada a ninguém, apenas para lembrar quem somos quando o mar é o único juiz.
Meu agradecimento ao Rafael Jesus e ao clube Va’anil, que tornaram essa travessia viável ao disponibilizar as canoas, toda a infraestrutura do clube e a logística de retorno das canoas e dos remadores até Angra dos Reis após o desafio. Apoio fundamental, feito com seriedade, confiança e espírito de quem entende o que é navegação de verdade.