Seu clube de va’a participa de alguma ação social?

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ação social clube de canoa
Remadores do clube Tribuzana Va’a, de Florinópolis (SC), recolhem 50 kg de alimentos para doação. Ação social voluntária será realizada mensalmente beneficiando instituições filantrópicas da região. Foto: Arquivo pessoal

Como jornalista e remador, tenho acompanhado de perto a evolução da va’a há muitos anos. No Brasil, a canoagem polinésia cresceu fortemente associada a uma cultura esportiva, com boa parte dos clubes focados em competições, planilhas e treinos intensos para baixar o tempo na água.

Promover o esporte e a qualidade de vida é muito importante. No entanto, é fundamental lembrarmos que, tradicionalmente, os clubes de canoa possuem uma função social tão forte quanto a esportiva. Isso nos remete aos fundamentos de “Ohana”, palavra havaiana que define o conceito de família.

Na cultura polinésia, Ohana tem um sentido mais amplo do que os laços consanguíneos, abrangendo toda a comunidade na qual aquele clube está inserido. Em lugares de forte tradição da va’a, como o Taiti e o Havaí, é comum que as bases realizem ações sociais e de integração com o seu entorno, devolvendo à comunidade um pouco da energia que o mar lhes proporciona.

Foi pensando justamente nesse resgate cultural e humano que, no mês passado, o clube do qual faço parte aqui em Floripa, o Tribuzana Va’a, deu início a uma ação social muito bacana.

A ideia nasceu de forma natural, após uma daquelas clássicas rodas de conversa, que acontecem após as remadas de sábado, quando a remadora e pedagoga Kelly Matos, sugeriu aos proprietários do clube, Valéria Máximo e André Leopoldino, e aos demais presentes, que os alunos poderiam se reunir mensalmente para promover algum tipo de ação social. A ideia foi abraçada por todos imediatamente naquela mesma roda de conversa.

O espírito de ajuda, na verdade, não era novidade por ali. Nas trágicas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, o clube já havia se mobilizado, enviando roupas e alimentos doados pelos alunos às vítimas do desastre.

Com esse histórico positivo, Kelly, Valéria e André estruturaram a nova ideia: convidaram todas as pessoas que remam no Tribuzana a participarem de uma corrente de solidariedade contínua, com a proposta de doação de 1 kg de alimento por mês. Para facilitar a logística e manter o engajamento, uma caixa de arrecadação foi instalada na própria base do clube. A mobilização foi um sucesso absoluto. Logo em seu primeiro mês, foram arrecadados 50 kg de alimentos, que foram prontamente destinados ao Educandário Caminhos de Luz.

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Kelly (de blusa marrom à esq.) Valéria e André (à dir) durante a entrega dos alimentos ao Educandário Caminhos de Luz. Foto: Arquivo pessoal

E o projeto não para por aí. A ação continuará ocorrendo mensalmente, com a distribuição de mantimentos para diferentes entidades de assistência da região. Além disso, o clube já planeja expandir as doações para incluir roupas, antecipando a chegada do inverno, que costuma ser bastante rigoroso aqui no sul do país.

Felizmente, a Tribuzana Va’a não é um caso isolado e deixo aqui os meus sinceros parabéns a todos os clubes espalhados pelo Brasil que já realizam algum tipo de ação social, mantendo viva a essência da canoa. E, para os clubes de todo o país que ainda não têm iniciativas desse tipo, fica o meu convite: mobilizem-se. A va’a nos ensina que, quando remamos juntos e cuidamos da nossa comunidade, nossa canoa vai muito mais longe. Aloha kākou!

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