
Remadores da Shell Va’a dominam 15ª edição da Mata Are Race
Competindo na V1, remadores da equipe Shell Va'a dominam as seis primeiras colocações da 15ª edição da ... leia mais

O Campeonato Pan-Americano de Va’a 2025, que será realizado entre os dias 18 e 22 de novembro em Rapa Nui (Ilha de Páscoa), acabou no centro de uma controvérsia após a exclusão inicial das categorias V6 Parava’a e Master 70, 75 e 80 do boletim oficial divulgado pela organização do evento. A medida causou indignação entre atletas brasileiros e provocou uma forte reação pública da Confederação Brasileira de Va’a (CBVA’A), além de uma enxurrada de manifestações nas redes sociais direcionadas à organizadora local, a Asociación Vaka Ama Rapa Nui.
As categorias afetadas constavam na seletiva brasileira realizada no início do ano, que definiu os atletas que representarão o país no Pan-Americano. O Brasil é o único país do continente que conta com atletas inscritos nas faixas etárias Master 70, 75 e 80. Ao constatar a ausência dessas provas no primeiro boletim da competição, a CBVA’A iniciou conversas internas com a organização do evento em busca de uma solução institucional.
No entanto, antes que as tratativas fossem concluídas, a atleta Simone Rizk, remadora da categoria Master 70, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram denunciando a exclusão e expressando, de forma emotiva, sua frustração com o que classificou como etarismo por parte da Asociación Vaka Ama Rapa Nui. No mesmo vídeo, Simone criticou a CBVA’A, acusando a entidade de não defender os atletas brasileiros.
A publicação teve forte repercussão entre a comunidade de va’a no Brasil. Comentários indignados e mensagens de protesto passaram a ser direcionados à organização da prova, muitas delas em tom agressivo. Diante da pressão pública, a CBVA’A divulgou uma nota oficial reforçando sua posição institucional e relatando os esforços realizados nos bastidores.
No texto, a CBVA’A classificou a exclusão como “um absurdo” e afirmou que a decisão contrariava o regulamento da Federação Internacional de Va’a (IVF), que reconhece oficialmente as categorias em questão. “Mobilizamos todos os esforços possíveis, de forma incansável e estratégica, para garantir a inclusão dessas categorias que são, por direito e por merecimento, parte essencial do evento”, afirma o documento assinado pelo presidente Jefferson Cabral. A entidade confirmou ainda que, às 20h45 do dia 10 de junho, recebeu o deferimento da inclusão das categorias e que a organização publicará um novo boletim até julho com as atualizações.
Nossa reportagem também procurou a Asociación Vaka Ama Rapa Nui, responsável pela organização do Pan-Americano. Em resposta, a entidade reconheceu que inicialmente teve dificuldades logísticas para incluir as categorias em razão da limitação de canoas e da capacidade de hospedagem da ilha, que é uma das mais isoladas do mundo. A associação também confirmou que o Brasil é o único país com competidores nessas categorias.
“Após solicitação da CBVA’A estamos trabalhando pela inclusão essas categorias, mesmo diante das dificuldades para adicioná-las. Mas ao verificarmos as regras da IVF, vimos que elas, de fato, eram obrigatórias”, afirmou um representante da organização com quem conversei por troca de mensagens. A Vaka Ama Rapa Nui reforçou mais uma vez que já está trabalhando para solucionar o problema: “Demoramos um tempo para encontrar a solução, mas ela foi aceita”, concluiu.
O episódio revela um choque entre diferentes contextos de desenvolvimento da va’a nas Américas. No Brasil, o esporte tem crescido rapidamente e se estruturado com apoio de órgãos públicos. Em contrapartida, na maioria dos outros países do continente, a va’a ainda é um esporte pequeno, com pouca visibilidade e quase nenhum apoio institucional ou financeiro. Organizações como a Asociación Vaka Ama Rapa Nui operam com estruturas enxutas e muitos desafios logísticos.
Embora compreensível, a reação da atleta Simone Rizk acabou antecipando um embate institucional que já estava sendo conduzido pelos meios adequados. Episódios como esse evidenciam a importância de manter o diálogo entre federações em nível diplomático e institucional, evitando que redes sociais ditem os rumos de questões organizacionais delicadas.
Com a situação aparentemente resolvida, a expectativa agora é que o novo boletim oficial confirme a inclusão das categorias seja publicado até o início de julho e que o Pan-Americano siga com a participação plena dos atletas brasileiros. O episódio deixa, contudo, uma reflexão importante sobre comunicação, representatividade e os desafios de construir um esporte internacional de forma colaborativa.