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Em uma decisão que pegou a comunidade da canoagem de surpresa, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) anunciou que não poderá mais chancelar o recém-criado Campeonato Brasileiro de OC1 (canoa havaiana individual), cuja primeira etapa estaria atrelada à Volta à Ilha da Gipóia, que acontecerá no início de maio, em Angra dos Reis (RJ).
A medida atende a um comunicado da Federação Internacional de Canoagem (ICF), que decidiu suspender a realização de todos os eventos oficiais da modalidade no mundo, acatando um pedido formal da Federação Internacional de Va’a (IVF). A suspensão global gerou um “efeito cascata” imediato, afetando todas as federações nacionais subordinadas à ICF, como é o caso da CBCa, que inclui a chancela da modalidade OC1 na copa do mundo de canoagem oceânica que será realizado durante o Molokabra 2026, no Ceará. Com isso, a divisão de Canoagem Oceânica da ICF (e suas entidades subordinadas) volta a incluir somente o surfski.
Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, que pediu para não ser identificada, a reivindicação da IVF pela tutela exclusiva da modalidade pode ter sido motivada por uma solicitação da Confederação Brasileira de Va’a – CBVA’A. A entidade brasileira estaria descontente com o anúncio de um campeonato nacional de OC1 sendo organizado por uma confederação concorrente e, entendendo haver um conflito de interesses, teria acionado a federação internacional de va’a pedindo apoio institucional.
O anúncio, contudo, não está sendo bem recebido por atletas de OC1 que sonhavam com uma carreira internacional, sobretudo por conta de um detalhe técnico crucial: os campeonatos mundiais organizados pela IVF não incluem a modalidade OC1. De acordo com uma segunda fonte consultada nos bastidores, a ICF optou por aceitar o pedido da IVF em nome de uma “boa relação política” entre as federações internacionais, mesmo ciente de que a IVF não promove mundiais da categoria.
A decisão afeta toda uma cadeia de eventos já estavam sendo planejados, incluindo o Brasil, que passaria a ter dois campeonatos nacionais de OC1 em 2026. Além disso, a suspensão cancela a aguardada estreia da modalidade na Copa do Mundo de Canoagem Oceânica da ICF, que incluiria uma etapa brasileira, durante o MolokaBRA, em Fortaleza, que passará a somar pontos somente para o surfski no ranking da ICF.
O primeiro impacto prático e imediato recaiu sobre a 4ª Volta à Ilha da Gipóia, marcada para os dias 2 e 3 de maio, em Angra dos Reis (RJ). A prova havia sido anunciada com grande expectativa como a etapa de estreia do novo Campeonato Brasileiro de OC1 da CBCa.
Em comunicado oficial divulgado nesta quinta (26), a organização do evento, liderada por Jorge Souza de Freitas (Bra Va’a Canoe Club), confirmou que foi notificada pela CBCa na véspera (25). O documento explica que, devido à reivindicação da IVF, os resultados da OC1 na prova não poderão ser reconhecidos oficialmente pela confederação de canoagem.
A organização garantiu que o evento acontecerá normalmente e que os resultados da OC1 serão apurados e divulgados de forma independente pela própria prova. No entanto, em respeito aos competidores, foi oferecida a opção de reembolso integral da inscrição para os atletas que se sentirem prejudicados pela perda da chancela nacional (leia o comunicado ao final da reportagem).
Para compreender o peso político dessa decisão, é preciso esclarecer o papel de cada organização no cenário esportivo: