
Clubes de Va’a do Kauai pedem socorro
As fortes chuvas que provocaram inundações severas na ilha havaiana de Kauai nos últimos dias causaram um ... leia mais

No vasto oceano da cultura havaiana, uma das tradições mais profundas é o Ho’oponopono, um processo ancestral de cura e reconciliação. Essa prática, com mais de 3 mil anos, é usada para resolver disputas por meio de confissão de erros, pedido de perdão e repetição de mantras como “Sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grato”. O objetivo é limpar memórias negativas e restaurar a harmonia comunitária.
Remar uma va’a, especialmente em equipe, é uma prática de Ho’oponopono em movimento. Exige que você deixe para trás conflitos, egoísmo e distrações. Se uma discussão ocorre antes de entrar na canoa, ela deve ser resolvida ou a viagem será difícil. O ato sincronizado de remar torna-se uma meditação ativa, um soltar das tensões individuais em prol de um ritmo coletivo. Se alguém rema com ódio, desatenção ou contra o ritmo, toda a embarcação sofre, perde velocidade e pode até virar.
Remar em equipe requer um nível mínimo de “deboísmo”, ou seja, estar mais leve, “de boa”, e Ho’oponopono. Se você perde a paciência ou costuma trocar farpas com outros remadores, é melhor procurar uma canoa individual ou outro esporte. Ao entrar na canoa, você precisa ter humildade, ver o copo meio cheio, aceitar críticas, estar em paz e em harmonia com todos. O remador que só pensa em sua própria força desequilibra a canoa.
Os princípios centrais do deboísmo giram em torno de uma atitude relaxada e pacífica para lidar com os problemas do dia a dia, evitando brigas desnecessárias e promovendo respeito mútuo. Ele incentiva “ficar de boa”, sem preguiça, mas com equilíbrio emocional e diálogo calmo.
Estar de boa não é apenas um estado de espírito: é um hábito, uma reconstrução cerebral, química, física quântica e espiritualidade. Quanto mais de boa você for, mais fácil será enfrentar os problemas do dia a dia e mais feliz você será. E o melhor: o deboísmo contagia outras pessoas, tornando felizes também quem está ao seu redor.
De boa na canoa é remar leve, bem-humorado, com boas vibrações; é estar aberto à conexão, ter empatia e pensar no outro, não apenas em si. O deboísmo atua como uma vacina, prevenindo que conflitos cotidianos te afetem, enquanto o Ho’oponopono é o remédio que limpa o mal que já te atingiu ou que você causou.
Ser de boa é não reclamar dos outros nem das situações. A reclamação amplifica o problema em nossa percepção, energiza e reforça o “mal”, seja a falha alheia, a injustiça ou o sentimento de impotência. Ela fixa na mente o que está errado, solidificando o obstáculo. A verdadeira postura “de boa” redireciona essa energia: em vez de nutrir o problema com palavras, busca-se compreender o contexto para agir com serenidade ou simplesmente seguir adiante, sem deixar que aquilo afete seu dia ou sua vida. É um ato de kala — soltar o gancho mental do que nos desagrada, libertando espaço para soluções e harmonia.
Devemos focar nas soluções dos problemas, no que nos dá prazer, no que temos para agradecer e sempre temos algo. Ser de boa te torna uma pessoa mais agradável, mais forte emocionalmente, mais resiliente e mais eficiente.
Então, vá remar e fique de boa na canoa.