Ho’oponopono e o Deboismo da Canoa

Compartilhe
deboísmo
O deboísmo previne o impacto dos conflitos; o Ho’oponopono cura o que já foi afetado ou causado. Foto: Maurício Noronha

No vasto oceano da cultura havaiana, uma das tradições mais profundas é o Ho’oponopono, um processo ancestral de cura e reconciliação. Essa prática, com mais de 3 mil anos, é usada para resolver disputas por meio de confissão de erros, pedido de perdão e repetição de mantras como “Sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grato”. O objetivo é limpar memórias negativas e restaurar a harmonia comunitária.

Remar uma va’a, especialmente em equipe, é uma prática de Ho’oponopono em movimento. Exige que você deixe para trás conflitos, egoísmo e distrações. Se uma discussão ocorre antes de entrar na canoa, ela deve ser resolvida ou a viagem será difícil. O ato sincronizado de remar torna-se uma meditação ativa, um soltar das tensões individuais em prol de um ritmo coletivo. Se alguém rema com ódio, desatenção ou contra o ritmo, toda a embarcação sofre, perde velocidade e pode até virar.

Remar em equipe requer um nível mínimo de “deboísmo”, ou seja, estar mais leve, “de boa”, e Ho’oponopono. Se você perde a paciência ou costuma trocar farpas com outros remadores, é melhor procurar uma canoa individual ou outro esporte. Ao entrar na canoa, você precisa ter humildade, ver o copo meio cheio, aceitar críticas, estar em paz e em harmonia com todos. O remador que só pensa em sua própria força desequilibra a canoa.

Os princípios centrais do deboísmo giram em torno de uma atitude relaxada e pacífica para lidar com os problemas do dia a dia, evitando brigas desnecessárias e promovendo respeito mútuo. Ele incentiva “ficar de boa”, sem preguiça, mas com equilíbrio emocional e diálogo calmo.

Estar de boa não é apenas um estado de espírito: é um hábito, uma reconstrução cerebral, química, física quântica e espiritualidade. Quanto mais de boa você for, mais fácil será enfrentar os problemas do dia a dia e mais feliz você será. E o melhor: o deboísmo contagia outras pessoas, tornando felizes também quem está ao seu redor.

De boa na canoa é remar leve, bem-humorado, com boas vibrações; é estar aberto à conexão, ter empatia e pensar no outro, não apenas em si. O deboísmo atua como uma vacina, prevenindo que conflitos cotidianos te afetem, enquanto o Ho’oponopono é o remédio que limpa o mal que já te atingiu ou que você causou.

Ser de boa é não reclamar dos outros nem das situações. A reclamação amplifica o problema em nossa percepção, energiza e reforça o “mal”, seja a falha alheia, a injustiça ou o sentimento de impotência. Ela fixa na mente o que está errado, solidificando o obstáculo. A verdadeira postura “de boa” redireciona essa energia: em vez de nutrir o problema com palavras, busca-se compreender o contexto para agir com serenidade ou simplesmente seguir adiante, sem deixar que aquilo afete seu dia ou sua vida. É um ato de kala — soltar o gancho mental do que nos desagrada, libertando espaço para soluções e harmonia.

Devemos focar nas soluções dos problemas, no que nos dá prazer, no que temos para agradecer e sempre temos algo. Ser de boa te torna uma pessoa mais agradável, mais forte emocionalmente, mais resiliente e mais eficiente.

Então, vá remar e fique de boa na canoa.

Não perca nada! Clique AQUI para receber notícias do universo dos esportes de água no seu WhatsApp

Compartilhe