
Volta da Ilha de São Vicente, 43 km de remada
Acompanhado dos ‘Monstros do Pântano Vicentino’, Caio Coutinho, um dos idealizadores do SUP Extremo, ... leia mais

Muito se fala sobre o universo vibrante das competições de va’a, e nós, do Aloha Spirit Mídia, abrimos espaço para divulgar eventos, atletas e diferentes federações e confederações como nenhum outro veículo do Brasil faz. No entanto, nossa missão sempre foi apresentar a canoagem polinésia com uma visão holística, e de tempos em tempos, sentimos o chamado para mostrar que o potencial da canoa vai muito, mas muito além das linhas de chegada.
Há toda uma vertente que aborda o caráter das expedições de canoa, um movimento que não para de crescer e que revela a alma aventureira e contemplativa do esporte. Uma prova disso é o grupo de WhatsApp “Travessias e Expedições”, dedicado exclusivamente a esses assuntos, que já conta com mais de 700 membros apaixonados por explorar novos horizontes a remo.
Contudo, o fator que talvez melhor demonstre a força da canoa em um país como o Brasil, com uma costa marítima gigantesca e uma das maiores ofertas do mundo de rios e lagos navegáveis, é a forma como ela está mudando a realidade de muita gente e transformando o turismo e as atividades de lazer. A canoa polinésia tem se mostrado uma ferramenta poderosa para reconectar as pessoas com suas próprias cidades. De Salvador (BA), onde remadores contemplam o Farol da Barra por um novo ângulo, a Porto Alegre (RS), onde projetos democratizam o acesso às águas do Guaíba, o movimento é o mesmo: redescobrir a paisagem, fortalecer o espírito de equipe e criar uma conexão genuína com a natureza, muitas vezes interrompida pela correria do dia a dia.
E um exemplo brilhante dessa transformação vem da Amazônia, em Santarém (PA), como mostra uma recente reportagem sobre o turismo esportivo na região. Banhada por rios de águas cristalinas, a cidade viu na canoagem uma oportunidade de ouro para diversificar suas experiências turísticas de forma sustentável.
O empreendedor Denis Renê, à frente da Santarém VA’A, percebeu o aumento da procura por atividades ao ar livre no pós-pandemia e estruturou um negócio que hoje é um dos cartões-postais da região. Sua empresa oferece passeios contemplativos por locais icônicos como o Encontro das Águas e Alter do Chão e, também, expedições imersivas de até seis dias pelos rios Arapiuns e Tapajós.
Essas expedições são um produto turístico completo: os participantes contam com barco de apoio, hospedagem em redes, alimentação e uma equipe com cozinheiro e enfermeira. Durante o percurso, eles visitam comunidades ribeirinhas, conhecem o artesanato local e vivenciam a cultura amazônica de perto, em um modelo que fortalece o Turismo de Base Comunitária (TBC) e gera renda de forma sustentável. Como afirma o secretário de Turismo local, Emanuel Júlio Leite, a canoagem “integra conservação ambiental, inclusão das comunidades ribeirinhas e geração de renda”.
Santarém é mais um caso emblemático a mostrar que a canoa polinésia é um veículo de saúde, bem-estar, desenvolvimento social e econômico. Aqui no Aloha Spirit Mídia, olhando para exemplos como este e para o potencial relativamente pouco explorado de nossas águas, acreditamos firmemente que ainda estamos vendo só a “ponta do iceberg”. A va’a ainda irá crescer muito nesse sentido, transformando vidas e destinos por todo o Brasil.