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Dido, o simpático cão caramelo mascote do clube Boa Viagem Va'a, de Niterói (RJ), é encontrado a 235 km ... leia mais
No último domingo, 31 de março, a base Team Noronha promoveu uma experiência transformadora para famílias atípicas: um passeio de canoa polinésia dedicado a pessoas dentro do espectro autista. A iniciativa, liderada por Mauricio Noronha, abriu um espaço de acolhimento e superação para os participantes, mostrando como o esporte pode ser um canal de inclusão e desenvolvimento.
A bordo da canoa, pais e filhos chegaram apreensivos, sem saber como os autistas reagiriam ao novo ambiente. Mas logo as incertezas deram lugar à tranquilidade e ao encantamento. A conexão com a água, o ritmo da remada e a energia coletiva criaram um ambiente seguro e estimulante para os convidados especiais.
Entre as famílias presentes, Cristiane Chagas compartilhou a emoção de ver seu filho Lucas, que tem autismo, vivenciar algo que antes parecia impossível. “A rigidez cognitiva do Lucas já nos fez desistir de muitas coisas. Só para ele brincar no pula-pula foi quase um ano de tentativa. Então, evitamos experiências novas sem um certo preparo antes”, contou.
Mesmo hesitante no início, Lucas foi convencido a embarcar. “Ele tentou me puxar da rampa, parecia que ia chorar, mas quando começamos a cantar a musiquinha do bote, ele foi. E foi mesmo! Uma hora de passeio! Passamos por pequenas ondulações, a canoa balançou e ele simplesmente estava ali, curtindo, olhando tudo, atento à água e aos outros remadores”, relembrou Cristiane.
A experiência trouxe uma sensação única de pertencimento. “Nos sentimos acolhidos, cuidados, amados. Ali não havia julgamento ou aquele sentimento de que estávamos atrapalhando um acontecimento. Nos shoppings, festas, consultórios, o barulho das famílias atípicas incomoda. Mas ali, na canoa, nós pertencíamos”, emocionou-se Cristiane.
O impacto foi tão positivo que, ao final do passeio, Lucas surpreendeu a todos ao gritar um “HIP!”, comando verbal utilizado por remadores de va’a, como se pedisse para continuar. “Experiências como essa tornam o autista capaz, capaz de chegar a qualquer lugar”, afirmou a mãe.
A canoagem polinésia mostrou-se mais do que um esporte: foi um veículo de inclusão, que respeita o tempo e a individualidade de cada um, permitindo que famílias vivenciem momentos de alegria e superação. Com iniciativas como essa, o esporte reafirma seu papel social e humano, proporcionando novas possibilidades para aqueles que, muitas vezes, encontram barreiras no dia a dia.