
Va’a Pro Brasil | Venus e He’e Nalu vencem em Vitória (ES)
Venus Va’a e He’e Nalu Roots Club vencem a segunda etapa do Va’a Pro Brasil, competição ... leia mais

Desde a popularização do stand up paddle, a partir dos anos 2010, cada vez mais pessoas passaram a ter contato com o ambiente aquático e a transformar a forma como se relacionam com as cidades. Um desdobramento desse fenômeno vem através da prática coletiva de remada proporcionada pela canoa polinésia, que tem se mostrado uma ferramenta poderosa para redescobrir paisagens urbanas sob uma nova perspectiva.
Uma vez conduzidas por pessoas experientes e certificadas, as canoas coletivas são mais seguras e fáceis de conduzir do que um SUP individual ou as próprias canoas individuais, permitindo que pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento físico participem dessa vivência. Esse movimento de ocupação das águas está acontecendo em todo o Brasil, unindo esporte, turismo, história e conexão com a natureza.
Em Salvador (BA), uma reportagem do portal A Tarde mostra como a canoagem se tornou a “sensação do Verão”. Clubes como o Kaiaulu Va’a oferecem roteiros de 4 km pela Baía de Todos-os-Santos, permitindo que moradores e turistas contemplem cartões-postais como o Forte São Marcelo e o Farol da Barra de um ângulo inédito. No artigo, Lorena Lago, fundadora do clube, destaca que a prática é para todos, de crianças a idosos, e o remador Ian Matheus ressalta o caráter colaborativo: “Não depende só da gente. Precisamos trabalhar em equipe e isso é muito legal”.
Essa mesma percepção é compartilhada em Santos (SP), onde o Jornal da Orla aponta que os passeios revelam a cidade “por um novo ângulo”. O instrutor Daniel Campos Luiz contou ao jornal que a modalidade é “muito acessível, sem restrição de idade ou biotipo”, atendendo desde crianças a idosos com mais de 87 anos. Para a professora Annie Carolina, a experiência vai além do físico: “a gente acaba mergulhando em um universo tão conectado à natureza que, muitas vezes, na correria do dia a dia, não consegue perceber”.
Às vezes, essa conexão com a natureza proporciona momentos inesperados e emocionantes. Em Serra (ES), o portal Folha Vitória relatou uma experiência vivida por alunos do Manguinhos Va’a, que foram surpreendidos por um grande grupo de golfinhos durante uma remada matinal. O professor Érico Alves Pinto contou à reportagem que a emoção foi geral, especialmente para um aluno que não sabia nadar e estava em sua primeira aula: “Ele ficou tão emocionado, que até chorou pela experiência”.
No sul do país, em Guaíba (RS), o atleta olímpico Edson “Edinho” Silva lançou um projeto de passeios de canoa havaiana para aproximar a comunidade do Lago Guaíba, conforme noticiou o Repórter Guaibense. A iniciativa, que promove roteiros até a Ilha das Pedras Brancas, combina aventura e contemplação, além de ser usada por empresas para fortalecer o trabalho em equipe. Na vizinha Porto Alegre, o recente Circuito Náutico reforçou essa tendência ao oferecer vivências gratuitas de canoa polinésia, cumprindo, nas palavras da organizadora Lusiani Borba, o papel de “democratizar o acesso às águas e reconectar Porto Alegre com seu maior patrimônio natural”.
Em tempos de “realidades virtuais”, o contato com o “real” proporcionado por essas experiências com as canoas ganha ainda mais importância para nossa saúde física e mental. Seja pela contemplação de uma paisagem histórica, pelo trabalho em equipe para mover a embarcação ou pelo encontro inesperado com a vida marinha, remar em conjunto está se consolidando como uma forma potente de se reconectar consigo mesmo, com a comunidade e com a cidade.