
“Beyond”: A incrível jornada de Pierre Lopez
Pierre Lopez, um talentoso guarda-vidas e waterman francês, decidiu embarcar a bordo de sua prancha de ... leia mais

O Circuito Estadual de Stand-Up Paddle do RJ dá um passo importante ao incluir oficialmente o paddleboard como modalidade do calendário. Não é apenas uma decisão administrativa. É um sinal claro de que 2026 começa a se desenhar como um ano-chave para a evolução da modalidade, especialmente no Rio de Janeiro.
Quando falamos de paddleboard no Brasil, alguns estados surgem quase automaticamente no mapa do esporte. Bahia, São Paulo e Santa Catarina são referências consolidadas, com atletas, eventos e uma cultura competitiva mais estabelecida, sendo a Bahia a mais organizada. O Rio de Janeiro, curiosamente, sempre esteve à margem desse protagonismo, apesar de reunir condições naturais para ser líder nacional. Mar aberto, diversidade de praias, vento, corrente, visibilidade e uma tradição esportiva que conversa diretamente com o espírito do paddleboard.
A Federação de SUP do Estado do Rio de Janeiro (FESURJ) passa a incluir o paddleboard nas etapas do circuito, com a categoria 12 pés Stock Prone. É uma decisão que organiza, reconhece e legitima uma modalidade que já vinha crescendo silenciosamente, entre treinos, travessias e participações pontuais em grandes provas.
O grande destaque fluminense é Marcos Monteiro, big rider de Saquarema, atleta experiente e com um know-how consistente no paddleboard. Marcos já disputou diversas provas, incluindo o Campeonato Brasileiro da CBSurf, e representa bem a conexão entre o surf de ondas grandes e a resistência física e mental exigida no paddleboard competitivo. Ao redor dele, o cenário carioca apresenta um mosaico interessante de possibilidades: o super veterano Rico de Souza, referência histórica do surf brasileiro; Bezinho Otero, vindo do SUP surf; Caio Vaz, que frequentemente se aventura e brinca com o paddleboard; além de Fabiano Faria e Luiza Perin, de Niterói, nomes de peso do esporte que inclusive já completaram a lendária travessia Molokai–Oahu em revezamento.
A expectativa é que esse ambiente competitivo também atraia novos perfis. Remadores de canoa VAA e até nadadores tendem a enxergar o circuito carioca de paddleboard como um novo espaço de desafio e transição esportiva, ampliando ainda mais o alcance e a diversidade da modalidade no estado.
Como em qualquer circuito oficial, há regras e responsabilidades. Atletas de paddleboard, assim como os de SUP, precisam estar federados, pagando anuidade, e cada etapa possui seu valor de inscrição. Isso faz parte do processo e da sustentabilidade do esporte. O ponto central é que, agora, existe um caminho claro para quem escolhe competir no paddleboard no Rio de Janeiro.
A entrada do paddleboard no circuito carioca convida a uma pausa rara no esporte: a de observar o que está sendo construído. Não se trata apenas de competir, mas de formar base, criar referências e permitir que novas gerações encontrem um caminho possível dentro da modalidade. O Rio de Janeiro reúne todos os elementos para isso. Se 2026 marcará um novo capítulo do paddleboard no estado, ele não será escrito apenas por quem vence provas, mas por quem entende que estar presente, remar junto e fortalecer o ambiente é tão importante quanto cruzar a linha de chegada.