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Nesses mais de 15 anos em que cubro o stand up paddle brasileiro e seus desdobramentos, acredito que a disputa institucional entre CBSUP e CBSurf foi um dos maiores entraves para o desenvolvimento do esporte no país. Mas apontar culpados, neste momento, não resolve nada. O tema se tornou tão polarizado, tão contaminado por rivalidades pessoais e narrativas de bastidores, que discutir o passado já não produz avanço real. Prefiro olhar para onde há movimento, para onde há perspectiva e, felizmente, o Aloha Spirit Festival parece estar oferecendo exatamente isso.
A criação da categoria Elite para 2026, anunciada oficialmente pelo Aloha Spirit, é um passo importante. Não será um “circuito brasileiro oficial”, claro. Mas, na prática, tem tudo para se tornar o único circuito do país capaz de reunir, na mesma largada, os melhores atletas de ambas as confederações, algo que nenhum outro evento conseguiu entregar desde que o esporte se fragmentou. Como destacou o diretor do Aloha Spirit Festival, João Castro, “os atletas não têm nenhum tipo de rivalidade ou diferença entre eles, querem estar juntos como antigamente, competir, resenhar, e tenho a esperança que o Aloha Spirit, com este novo projeto, colabore de certa forma”.
Essa categoria Elite será fechada e classificatória, com premiação em dinheiro e um sistema de convocação baseado diretamente nos rankings das duas entidades nacionais, CBSUP e CBSurf, e o próprio ranking Aloha Spirit. Ou seja: quem for realmente destaque, quem estiver competindo em alto nível, estará lá.
Essa escolha é relevante por vários motivos, mas, principalmente, porque o Aloha Spirit, com potencial de alcançar entre 600 mil e 1,8 milhão de pessoas por mês nas diferentes plataformas digitais do evento e diferentes maneiras de se comunicar, trará uma visibilidade incomparável para esses atletas. Um alcance estratégico que coloca o SUP no radar de marcas, público e possíveis novos praticantes.
Para os atletas amadores, que representam a maior parte dos inscritos, o Aloha Spirit é visto como o evento que mais valoriza essa categoria e, em grande medida, tem sido o principal responsável por evitar um esvaziamento ainda maior da modalidade nos últimos anos. Graças à visibilidade proporcionada pelo circuito, hoje o público reconhece nomes como Silvana Siqueira, Maria Eduarda Machado, Weslley Teixeira, Bruna Louise de Souza Bergamini, Maick Walace Agostinho, Anderson Miranda da Silva, entre outros grandes representantes do SUP amador.
Outro ponto importante é a intenção declarada do Aloha Spirit: formar e expor novos ídolos nacionais, não apenas atletas conhecidos dentro da bolha do esporte. E aqui, vale a reflexão: quantos brasileiros sabem que tivemos atletas brilhando em competições internacionais? A proposta da Elite é justamente transformar boas histórias esportivas em narrativas acessíveis para o público geral, criando identificação, torcida e continuidade.
Depois de 17 anos, o Aloha Spirit decidiu assumir aquilo que, na prática, sempre foi: um dos principais títulos do país nos esportes de água e passa a ocupar, com legitimidade, o espaço de maior articulador do SUP competitivo brasileiro.
O que vejo é uma oportunidade de ouro para o stand up paddle nacional: um circuito com estrutura, visibilidade, atletas de ponta e propósito claro de fortalecer o esporte. O festival, que tradicionalmente realizou as maiores provas de SUP do Brasil, construiu uma relevância internacional ao longo de quase duas décadas. Agora, ao propor uma Elite unificada e competitiva, o Aloha Spirit pode ser justamente o empurrão que o stand up paddle precisava para ganhar novo fôlego e alçar voos mais altos.