
Balanço da Nikit Va’a 2021
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O Campeonato Mundial de Stand Up Paddle encerrou suas atividades neste domingo (18), em Sabaudia, na Itália, consolidando-se entre os maiores eventos da história da modalidade. Com as águas do Lago di Paola como cenário, a competição reuniu quase mil atletas de cerca de 60 países, entregando disputas de altíssimo nível nas categorias Sprint, Race Técnico e Longa Distância.
Enquanto potências internacionais celebraram pódios e consolidaram seus ídolos, o Brasil vivenciou um campeonato de contrastes. A participação nacional evidenciou o esforço e a resiliência de seus competidores, mas também escancarou a dura realidade do stand up paddle de alto rendimento no país.
O Mundial na Itália foi marcado pela enorme variedade de modalidades e categorias, incluindo a Inflável e a estreia da Sprint Foil. Já nas categorias tradicionais, confirmaram-se os grandes favoritos nos pódios. Na cobiçada prova de Longa Distância, o ouro ficou com a húngara Csillag Kocsis no feminino e com o fenômeno japonês Shuri Araki no masculino, que também garantiu o topo no Exhibition Foil.
No Race Técnico, a porto-riquenha Mariecarmen Rivera e o espanhol Aaron Sanchez ditaram o ritmo e levaram o título. Já nas explosivas provas de Sprint de 100 metros, a italiana Cecilia Pampinella fez a alegria da torcida local ao conquistar o ouro, acompanhada pelo lituano Vadim Korobov no masculino.

Apesar da magnitude do evento, o Brasil foi representado por uma delegação enxuta, composta por apenas seis atletas: Rebeka Klotz, Scarlett Miranda, Daniela Paiva, David Leão, Giuseppe “Pépi” Nunes e Rudah Bosi.
O baixo número de competidores reflete a crise de incentivo ao SUP de alto rendimento no Brasil. Vale destacar que todos viajaram por conta própria, dependendo do apoio de prefeituras, apoiadores e amigos. O exemplo mais latente dessa dificuldade foi a ausência de Guilherme dos Reis. O atual campeão pan-americano, que seria uma das nossas maiores chances de medalha na competição, precisou cancelar sua viagem por falta de recursos financeiros, mesmo após organizar uma rifa solidária online que não atingiu a meta.
Enfrentando os melhores atletas do mundo, os brasileiros tiveram dificuldades para avançar nas chaves principais. Nenhum atleta do país conseguiu se classificar para as finais da prova de Race Técnico. O cenário se repetiu no Sprint, com uma única e honrosa exceção.
O grande destaque da delegação foi Daniela Paiva. A atleta foi a única representante do Brasil a alcançar uma final A no Mundial, disputando o Sprint Race na categoria Master 40+ Feminino. Dani terminou a prova na 5ª colocação, ficando muito próxima de conquistar uma medalha e registrando o melhor resultado do país em toda a competição.
É importante destacar como funciona o sistema de classificação nas provas de Race Técnico e Sprint Race, que ocorre por meio de chaveamento de baterias. Os competidores disputam vagas em três finais: a Final A (que vale as medalhas de ouro, prata e bronze), a Final B e a Final C. Nas baterias eliminatórias, o 1º e o 2º colocados avançam para a Final A (que define do 1º ao 8º lugar geral); o 3º e o 4º vão para a Final B (do 9º ao 16º lugar); e o 5º e o 6º classificam-se para a Final C (do 17º ao 24º lugar). Apenas os atletas que chegam a pelo menos uma dessas três finais têm seus resultados computados no ranking oficial do campeonato, enquanto os demais ficam de fora da classificação final.
| Atleta | Modalidade | Categoria | Colocação Final |
|---|---|---|---|
| Daniela Paiva | Sprint 100m | Master 40+ Feminino | 5º lugar |
| Rebeka Klotz | Longa Distância | Junior Feminino | 15º lugar |
| Daniela Paiva | Race Técnico | Master 40+ Feminino | 18º lugar |
| Rebeka Klotz | Race Técnico | Junior Feminino | 20º lugar |
| Daniela Paiva | Longa Distância | Master 40+ Feminino | 22º lugar |
| Rudah Bosi | Race Técnico | Open Masculino | 22º lugar |
| Rudah Bosi | Longa Distância | Open Masculino | 24º lugar |
| Scarlett Miranda | Longa Distância | Open Feminino | 37º lugar |
| Davi Leão | Race Técnico | Open Masculino | 50º lugar |
| Giuseppe Nunes | Longa Distância | Junior Masculino | 70º lugar |
Os resultados oficiais de todas as provas e categorias podem ser conferidos AQUI.
Outro ponto que vale a pena refletir é a ascensão da ICF, rebatizada de Paddle Worldwide, frente à inércia da ISA na organização global do stand up paddle. A grande questão é que a Paddle Worldwide tem uma pegada excessivamente voltada à canoagem em águas abrigadas, mas o SUP é um esporte que nasceu no mar do Havaí e é herdeiro do surfe. Se, por um lado, há um aspecto positivo em ver uma entidade desse porte vestindo a camisa do SUP, por outro, fica o alerta para que a PW entenda melhor a personalidade do SUP e comece a realizar provas em mar aberto, com ondas, e não somente em água parada. O SUP não é canoagem e, por isso, deve ser tratado de maneira apropriada.