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A estreia do ASE Championship 2026 – SUP Race Elite não poderia ter um cenário mais simbólico: a icônica praia de Itaúna, em Saquarema, conhecida como a “capital do surfe”, recebeu nesta sexta-feira (20) a primeira etapa da categoria Elite do circuito Aloha Spirit, já sob o novo formato fechado e classificatório.
Reunindo alguns dos maiores nomes do SUP Race sul-americano, o dia foi marcado por atraso por causa da neblina, grandes performances, erros decisivos e, sobretudo, pela confirmação de que a nova fase do Aloha Spirit veio para colocar os melhores atletas na mesma raia.
A etapa em Saquarema marcou, na prática, a implementação do conceito de categoria ELITE ASE 2026, definido pelo Aloha Spirit: categoria fechada, com participação apenas de atletas previamente classificados via rankings da CBSurf, CBSUP e Aloha Spirit, com premiação em dinheiro e maior destaque midiático.
Após 17 anos se apresentando como “festival”, o Aloha Spirit assume de vez seu papel como um dos títulos mais importantes do país, com números de participação, estados representados e visibilidade que o colocam em um patamar único. Em Saquarema, esse conceito ganhou rosto, prancha e remada.
A programação previa a largada do SUP Race Técnico feminino às 7h30 da manhã. Mas o mar de Itaúna amanheceu encoberto por uma forte neblina, que simplesmente tornava impossível enxergar as boias da raia.
Por questões de segurança, a organização segurou todas as largadas durante toda a manhã, aguardando a visibilidade mínima necessária para que os atletas pudessem competir com clareza de percurso.
Como resultado, o evento, que deveria começar cedo, só teve a primeira largada ao meio-dia. A ordem das provas foi mantida:
Quando a neblina finalmente se dissipou, a Elite do SUP sul-americano entrou na água sob um clima de expectativa acumulada e entregou exatamente o que se espera de um circuito de alto rendimento: intensidade, estratégia e drama até os metros finais.

A primeira prova a cair na água foi o SUP Race Técnico feminino – 3 km, disputado em três voltas de 1 km. Nesse formato, as atletas largam da areia, correm com a prancha, entram no mar, atravessam a arrebentação e contornam as boias, retornando em direção à praia, muitas vezes aproveitando as ondas para surfar, acelerar e ganhar posições.
Desde o início, Juliette Duhaime (Argentina) mostrou por que é uma das referências internacionais da modalidade. Abrindo vantagem logo nas primeiras remadas, ela consolidando uma liderança sólida, com excelente leitura de mar e muita segurança nas trocas de direção e na arrebentação.
Atrás dela, a disputa pela segunda posição foi intensa entre: Alma Colleta, segundo grande nome argentino na prova, sólida e consistente, e a catarinense Rebeka Klotz, que começou forte e se manteve próxima na briga pelo pódio.
As duas duelaram boa parte da prova, alternando momentos de maior aproximação. A definição veio em um momento clássico de prova técnica: na parte final, já se aproximando da areia, Rebeka teve a chance de disputar a segunda colocação, mas uma queda na corrida final, após pegar uma onda, tirou dela a possibilidade de superar Alma Colleta. A argentina consolidou o vice-campeonato, enquanto Rebeka cruzou em terceiro lugar.
Na sequência, a paranaense Roseli Novlosk teve uma prova sólida, mas com algumas quedas que a distanciaram do pelotão da frente, finalizando em quarto lugar. Fechando o top 5, Jessika Matos “Moah” mostrou regularidade e boa leitura de mar, assegurando a quinta colocação.
Resultado – SUP Race Técnico feminino (3 km):
Na sequência foi a vez do SUP Race Técnico masculino – 3 km. Assim como no feminino, os homens encararam três voltas de 1 km, largando da areia, passando pela arrebentação e voltando em alta velocidade em direção à praia, surfando as ondas para ganhar tempo.
Logo no início, a prova desenhava um enredo previsível: Guilherme dos Reis, um dos grandes nomes do SUP brasileiro e mundial, campeão Aloha Spirit de 2025 na Longa Distância, assumiu a liderança com autoridade, abrindo uma vantagem clara sobre os demais e fazendo uma prova tecnicamente muito consistente.
Na perseguição, estavam Rudah Bosi, em um ritmo forte e bem encaixado na raia; Luiz Guida “Animal”, referência histórica do SUP Race brasileiro; Mario Cavaco, que começou no pelotão principal, brigando pelas primeiras posições e Emerson Juba, logo atrás desse primeiro bloco.
A prova seguia firme com Guilherme à frente, até que um episódio mudou completamente o desfecho: Perto do final, já em condição de fechar a prova na areia, Guilherme se confundiu no percurso e acabou contornando uma boia a mais, quando já deveria ter encerrado a prova. Em vez de correr para a linha de chegada, continuou remando, abrindo a porta para quem vinha atrás.
Foi o momento decisivo para Mario Cavaco. Vindo forte em terceira posição, ele aproveitou uma onda favorável, surfou com precisão e conseguiu ultrapassar Rudah Bosi no surf, já na parte derradeira, assumindo a primeira colocação.
Cavaco cruzou a linha de chegada como campeão do SUP Race Técnico Elite em Saquarema, em uma vitória descrita como emocionante e muito simbólica.
Foi a primeira vez que Marinho venceu essa prova no Aloha Spirit, “depois de tantos anos”, exatamente em uma situação que traduz o espírito de uma prova onde técnica, atenção, leitura de mar e tomada de decisão pesam tanto quanto força e resistência.
Com o erro de percurso, Guilherme acabou em terceiro lugar, atrás de Rudah, que garantiu o vice-campeonato com grande consistência ao longo de toda a disputa. Luiz Guida “Animal” veio logo na sequência, em quarto, seguido por Emerson Juba, compondo um top 5 bastante forte tecnicamente.
Resultado – SUP Race Técnico masculino (3 km):

Depois das provas técnicas, foi a vez da SUP Race Longa Distância feminino – 9 km. Uma única largada na areia, travessia da arrebentação e, a partir daí, uma maratona em águas abertas até completar os 9 km.
Na largada, Jessika Matos “Moah” surpreendeu com uma saída muito forte. Até a primeira boia ela conseguiu se manter bem próxima de Juliette Duhaime, mostrando que estava preparada para um ritmo intenso. Mas, a partir desse ponto, a argentina repetiu o roteiro da prova técnica e começou a abrir vantagem, imprimindo um ritmo de maratona muito forte e se isolando na liderança, sem ser ameaçada até o final.
Enquanto isso, o grupo de trás teve dificuldades já na arrebentação, com uma largada confusa entre as atletas, com algumas optando por uma faixa de mar mais próxima das ondas. Rebeka Klotz, por exemplo, largou muito pelo lado das ondas, acabou pegando uma espuma forte e caiu logo depois da largada. Esse tipo de situação é típico em provas com arrebentação ativa: qualquer escolha de linha mais arriscada pode render segundos preciosos ou uma queda que cobra caro.
Conforme os quilômetros avançaram, o desenho da prova ficou claro com Juliette Duhaime abrindo uma grande distância na liderança. Moah consolidou a segunda colocação, também com uma diferença considerável em relação ao restante do pelotão. Na briga pela terceira posição, Alma Colleta sustentou seu lugar no pódio, repetindo o excelente desempenho do técnico.
Já a disputa mais intensa ficou pela quarta colocação, com um duelo direto entre Rebeka Klotz e Roseli Novlosk. Em determinado momento, Roseli chegou a ultrapassar Rebeka, mas a jovem catarinense se reorganizou, retomou o ritmo e voltou à frente, conseguindo assegurar o quarto lugar, com Roseli finalizando em quinto.
Resultado – SUP Longa Distância feminino (9 km):

Na prova de SUP Race Longa Distância masculina – 9 km, depois de perder a vitória no Race Técnico por um erro de percurso, Guilherme dos Reis voltou para a água claramente determinado a se recuperar – e conseguiu. Desde a largada na areia, ele assumiu a frente do pelotão, atravessou a arrebentação com autoridade e impôs um ritmo forte em toda a maratona em águas abertas, vencendo sem ser ameaçado ao longo do percurso.
Mario Cavaco, embalado pela vitória emocionante no Técnico, fez bonito mais uma vez, administrando muito bem a prova e garantindo a segunda colocação. Logo atrás, Rudah Bosi completou o pódio em terceiro lugar, confirmando a regularidade no dia. Emerson Juba chegou em quarto, com uma atuação sólida na longa, e Luiz Guida “Animal” fechou o Top 5 da prova masculina de longa distância, coroando uma estreia de campeonato à altura do novo formato Elite do Aloha Spirit.
Resultado – SUP Longa Distância masculino (9 km):
A etapa de Saquarema reforçou o caráter internacional e de alto rendimento da nova categoria Elite ASE.
Entre os destaques a forte presença de atletas da Argentina, com Juliette Duhaime e Alma Colleta sendo protagonistas nas duas provas femininas, participação de atletas do Peru, como Giannisa Vecco e nomes importantes do Brasil.
Esse encontro de gerações, estilos e nacionais materializa exatamente o que o novo formato Elite propõe: colocar na mesma raia apenas os melhores, gerando engajamento, história, narrativas e identificação do público com atletas específicos – seja pela performance, seja pela trajetória.
A estreia do ASE Championship 2026 de SUP Race em Saquarema entregou exatamente o que se espera de uma categoria Elite: provas técnicas e longas muito disputadas, reviravoltas decisivas, domínio de grandes nomes e a confirmação de que o Aloha Spirit abraça de vez o alto rendimento do stand up paddle, elevando o nível da competição e da visibilidade dos atletas, mas sem perder o espírito de confraternização que é marca registrada do festival.