
Como a metodologia TABATA pode melhorar sua performance
Metodologia Tabata é um sistema de treinamento criado por um japonês que tem feito muito sucesso nas ... leia mais

Tem gente que sorri, mas está exausta de sustentar a própria força. Gente que acorda cedo, trabalha, treina, cuida da casa, responde mensagens, publica fotos bonitas e atravessa a rotina com uma aparência de normalidade quase impecável, enquanto por dentro está apenas reunindo os últimos fragmentos de energia para chegar ao fim do dia sem desmoronar.
Nem toda dor faz barulho, e algumas dores aprendem a se esconder atrás de um sorriso bem ensaiado. Talvez seja exatamente por isso que o Setembro Amarelo precise falar menos sobre campanhas e mais sobre pessoas, sobre mim, sobre você, sobre quem está sentado ao nosso lado agora, sobre aquele amigo que mudou um pouco e ninguém percebeu, sobre quem deixou de aparecer nos treinos sem dar explicação, sobre aquela pessoa que sempre cuidou de todo mundo, mas que talvez também esteja precisando desesperadamente que alguém cuide dela.
Quem vive o esporte conhece bem essa oscilação. Existem dias em que o mar parece nos convidar, o vento ajuda, a canoa desliza leve, o corpo responde com precisão e tudo se encaixa como deveria. Mas existem outros dias, aqueles em que o vento vem contra, a água pesa nos braços, o cansaço se instala nos músculos e parece que estamos remando com toda a força sem sair do lugar.
A vida também tem esses dias, e a diferença é que, olhando de fora, quase nunca sabemos qual mar o outro está enfrentando por dentro. Às vezes encontramos alguém sorrindo e pensamos que está tudo bem, mas talvez aquele sorriso seja apenas a maneira que aquela pessoa encontrou para continuar de pé. Precisamos aprender a olhar além da superfície.
Em uma canoa, existe algo profundamente bonito: quando um remador perde a força, os outros não começam a julgá-lo. Ninguém diz que ele precisa remar mais, reagir, olhar para os outros que estão conseguindo. A equipe simplesmente continua, ajusta o ritmo, sustenta, protege e ajuda aquela canoa a seguir em frente. Talvez seja exatamente isso que precisamos aprender a fazer na vida, porque nem sempre quem está sofrendo precisa de conselhos prontos ou frases de incentivo.
Às vezes essa pessoa só precisa de companhia, de alguém que sente ao lado e diga com sinceridade: eu estou aqui, você não precisa explicar tudo, não vou te julgar, vamos atravessar isso juntos.
Existe uma pergunta que fazemos quase automaticamente, sem pensar muito: está tudo bem? E quase automaticamente recebemos a resposta: está. Talvez precisemos aprender a perguntar uma segunda vez, com mais calma, com mais verdade. Tem certeza? Como você está de verdade? Quer conversar? Existem conversas que podem mudar um dia, abraços que podem mudar uma semana, presenças que podem mudar uma história inteira. Nunca subestime o poder de alguém sentir, de forma simples e profunda, que existe uma pessoa que se importa com ela.
Talvez você seja aquela pessoa que sustenta todo mundo: a mãe que resolve tudo, o pai que protege, o amigo que aconselha, o líder que precisa parecer forte, o atleta que motiva a equipe, a pessoa alegre do grupo. Mas até quem sustenta precisa, algumas vezes, ser sustentado.
Você não precisa ser forte o tempo inteiro, não precisa ter todas as respostas, não precisa esconder sua dor para proteger quem ama. Reconhecer que algo não está bem não diminui ninguém, e pedir ajuda também é coragem. Existe uma força imensa em dizer: hoje eu não estou conseguindo sozinho.
Talvez uma das coisas mais bonitas que o esporte nos ofereça não seja a medalha, mas o pertencimento. É chegar ao treino e alguém perguntar onde você estava ontem, é alguém separar seu lugar na canoa, dividir água, rir depois do treino, reclamar do vento juntos, comemorar uma chegada. É saber que alguém percebe quando você não aparece. Isso parece pequeno, mas não é.
Todos nós precisamos sentir que nossa presença importa, que nossa ausência será percebida, que fazemos falta em algum lugar. Talvez nossas equipes possam ser ainda mais do que grupos de atletas: podem se tornar redes de cuidado, onde ninguém precise fingir força o tempo inteiro, onde possamos olhar para o companheiro de canoa e lembrar que, antes de atleta, existe ali uma pessoa com uma história, com perdas, com sonhos, com dias bons e dias muito difíceis.
Existem momentos em que teremos força para puxar a canoa, e em outros talvez sejamos nós aqueles que estarão cansados. E está tudo bem precisar da força da equipe. Na vida também é assim: em alguns momentos ajudamos, em outros somos ajudados; em alguns dias somos colo, em outros precisamos de colo. Essa troca não nos torna fracos, nos torna humanos.
Se você estiver atravessando um período difícil, quero deixar uma mensagem especialmente para você. Talvez hoje você não consiga enxergar uma saída, talvez esteja cansado, talvez tenha vivido perdas, frustrações ou dores que ninguém conhece completamente. Mas o momento que você está vivendo não precisa ser o capítulo final da sua história. Existem pessoas preparadas para ajudar, existem caminhos que talvez você ainda não tenha encontrado, existem encontros que ainda não aconteceram, lugares que você ainda não conheceu, risadas que ainda não deu, abraços que ainda não recebeu, mares que ainda não remou, pores do sol que ainda não viu, histórias que ainda não contou.
E existem pessoas que talvez nem saibam dizer, mas que seriam profundamente impactadas pela sua ausência. Por favor, não atravesse uma tempestade sozinho. Procure alguém, converse, peça ajuda, permita-se ser cuidado.
Que o Setembro Amarelo não seja apenas uma cor em nossas redes sociais, mas comportamento, presença, escuta, cuidado. Que possamos olhar mais nos olhos, guardar um pouco o celular, perguntar com interesse verdadeiro, abraçar sem pressa, perceber ausências e celebrar presenças. Porque talvez nunca saibamos qual batalha alguém está enfrentando, mas podemos escolher ser parte daquilo que torna essa batalha um pouco menos solitária.
E quando o mar estiver difícil demais para alguém que amamos, que possamos chegar perto e dizer: hoje você não precisa remar sozinho, eu remo com você. Talvez seja isso que todos nós precisamos aprender sobre a vida: às vezes seremos fortes, às vezes estaremos cansados, mas enquanto existirem mãos dispostas a segurar outras mãos, haverá esperança. No mar e na vida, ninguém precisa remar sozinho.