Canoa ancestral austronésia realiza travessia épica entre Taiwan e Filipinas

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Travessia ancestral austronésia
Travessia reestabeleceu uma rota ancestral interrompida há 300 anos. Foto: Batanes State College

Uma expedição histórica no Oceano Pacífico foi concluída com sucesso, marcando o reencontro de culturas ancestrais após três séculos de separação. Vinte homens da etnia indígena Tao completaram a travessia de 185 quilômetros pelo Canal de Bashi em menos de dois dias. Partindo da Ilha das Orquídeas (Lanyu), em Taiwan, na segunda-feira, 15 de junho de 2026, os navegadores enfrentaram ondas gigantes e atracaram em segurança no Porto de Abrigo de Mahatao, nas Ilhas Batanes, nas Filipinas, no dia 16 de junho. O objetivo da odisseia era refazer uma antiga rota marítima austronésia e reforçar os profundos laços que unem o povo Tao às comunidades do arquipélago filipino.

O veículo dessa reaproximação foi uma canoa tradicional de madeira esculpida e pintada à mão, conhecida como tatala. Batizada de “Ovayan”, que significa Amizade Dourada, a embarcação exibe as cores vermelho e branco e impressiona por seus 12 metros de comprimento, sendo a maior já construída pela comunidade.

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Remadores da etnia indígena Tao unem forças para erguer a “Ovayan” com os próprios braços, conduzindo a embarcação de 12 metros em direção ao mar. Foto: Batanes State College

Em depoimento à imprensa, o engenheiro de som Hsiao Chun-hsiang, de 50 anos, explicou que essas canoas eram originalmente ferramentas de sobrevivência para a pesca de peixes-voadores e mantêm um profundo significado espiritual, sendo tratadas como membros da família. Para remadores como Wu Hsi-lung, de 26 anos, a viagem foi movida pelo desejo de conhecer a terra de seus ancestrais e honrar o sangue que carrega, um sentimento que impulsionou toda a tripulação.

Ao chegarem às praias da Ilha de Batan, os remadores foram recebidos com grande entusiasmo pelo governador local e pela comunidade Ivatan. O encontro histórico foi celebrado com festividades culturais e banquetes, que evidenciaram as impressionantes semelhanças linguísticas, de vestimentas e de tradições entre os dois povos. Esse momento de confraternização materializou o sucesso do projeto de intercâmbio cultural, batizado de “Primeira Viagem de Retorno em 300 Anos”, consolidando laços que haviam permanecido apenas na memória e na herança oral das duas ilhas.

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Detalhe dos intrincados grafismos da “Ovayan”, a canoa tradicional (tatala) do povo Tao. Foto: Batanes State College

Os remadores Tao retornaram para Taiwan pouco depois, no dia 18 de junho, mas deixaram um importante símbolo de sua jornada nas Filipinas. A canoa “Ovayan” permanecerá em Batanes e fará parte de uma exibição itinerante pelo país durante seis meses. Syaman Maraos, organizador da viagem e presidente da Fundação Cultural dos Povos Indígenas, destacou que o legado dessa travessia terá um novo capítulo em breve, quando os próprios moradores locais das Filipinas assumirão os remos da Amizade Dourada para fazer a viagem de volta a Taiwan, promovendo um impulso definitivo para a preservação da cultura marítima do Pacífico.

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Remadores foram recebidos com grande festa. Foto: Batanes State College

Um esforço que resgata a essência da cultura austronésia, considerada a cultura mãe dos povos do Pacífico e responsável por dar origem às populações das regiões hoje classificadas como Melanésia, Micronésia e Polinésia. Pesquisadores estimam que as primeiras travessias de canoa nessas águas tenham sido realizadas há aproximadamente 30 mil anos. Diante dessa magnitude histórica, a jornada da “Ovayan” carrega um peso simbólico profundo: ela prova que, por mais que o tempo passe e a tecnologia avance, a força da ancestralidade continua viva. Essa herança se mantém como um marcador definitivo da identidade dessas culturas, que seguem, hoje e sempre, intimamente ligadas ao mar.

Fonte: Tapei Times

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