
Remada Rosa Solidária promove união e conscientização em Niterói
Com participação expressiva de clubes de va'a, remadores e nadadores Remada Rosa Solidária 2020 promoveu ... leia mais

A canoa polinésia (va’a) está crescendo — e rápido. Mais atletas, mais provas, mais visibilidade. Mas junto com esse crescimento, vem uma pergunta que não dá mais pra ignorar: estamos crescendo com justiça?
O esporte sempre foi sobre levar o corpo ao limite com treino, técnica e consistência. Só que quando entram substâncias que aceleram esse processo, deixa de ser mérito e passa a ser vantagem artificial. E isso quebra o jogo.
Hoje, muitos atletas sentem que há um desequilíbrio que tem sido ainda mais evidente em algumas categorias, como no feminino. Quantas ali estão usando doping? Não sabemos! A falta de clareza é ruim, pois gera uma desconfiança generalizada. É um tema delicado? Sim. Mas fingir que não existe é pior.
Em esportes sérios, existe controle. A Agência Mundial Antidoping é prova disso. Porém, em competições nacionais de va’a esse controle ainda não existe. Isso precisa mudar.
Outro ponto: provas de federação e confederação são classificatórias. Isso não é festival. Não dá pra tratar como evento recreativo quando há ranking, vaga e resultado que irão selecionar atletas para representar o país em competições internacionais. Se é competição oficial, precisa de regra clara, fiscalização e responsabilidade. Não pode ser um ambiente que favorece o “vale tudo”.
“Ah, mas o antidoping é caro.” É mesmo. Mas isso não pode ser desculpa pra não fazer, até porque, as competições oficiais se tornaram enormes, com transmissão ao vivo e grandes estruturas. Então, como não há recursos para esses exames? Dá pra começar com o básico: tornar obrigatório o exame para quem sobe no pódio. Simples assim. Quem ganha, prova que ganhou “limpo”.
E antes de qualquer coisa: saúde. O uso de anabolizantes cobra um preço alto — físico e psicológico. Não existe performance que valha esse custo.
Se a va’a quer continuar crescendo e ser levada a sério, esse é o momento de amadurecer. Criar regra, aplicar regra e proteger quem escolhe competir de forma limpa. Porque no fim, não é só sobre ganhar. É sobre como se ganha.