Alta performance em OC6 começa na canoa individual

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Clínica Kevin CJ Kevin Ceran Jerusalemy
“Os melhores remadores não fogem da V1. Pelo contrário, eles entendem a canoa individual como uma ferramenta de construção, quase como um laboratório da própria técnica”. Foto: Divulgação

A verdade aparece quando você senta na V1. Você pode até não ter a intenção de competir nesse tipo de va’a, isso é uma escolha pessoal, mas se o objetivo é buscar alta performance em canoas coletivas, especialmente V6 e OC6, é fundamental encarar o treino em canoa individual. Isso é uma questão de base técnica.

A OC6 permite uma série de compensações: o time sustenta o ritmo, corrige o tempo, absorve parte dos erros individuais. Já na V1, nada disso acontece. Ali, qualquer deficiência aparece de imediato. Um catch mal encaixado trava a canoa, uma saída suja quebra o flow, uma cadência inconsistente denuncia na hora a falta de controle. Na V1 não existe esconderijo.

É justamente por isso que quem depende exclusivamente da OC6 costuma evoluir mais devagar do que imagina. A performance pode até estar presente e, muitas vezes, parecer consistente, mas nem sempre ela é fruto da capacidade individual; com frequência, está sendo sustentada pelo conjunto. E isso tem um preço. A minha leitura é direta: você precisa dominar a V1.

remada canoa
Autor do artigo, o capixaba sentiu na prática os benefícios que a remada na canoa V1 trouxe para o entrosamento de sua equipe de OC6. Foto: Arquivo pessoal

Dominar não significa necessariamente entrar em linha de largada e competir, mas sim ter propriedade sobre a embarcação, saber o que está fazendo ali. Ou seja, ser capaz de controlar a canoa em diferentes condições, executar manobras com segurança e perícia, entender como o seu corpo responde quando há menos interferência externa. A V1 desenvolve justamente aquilo que a OC6 não consegue isolar: a técnica individual.

Depois que essa base estiver sólida, se você optar pela OC1, não há problema algum; ela pode ser uma excelente continuidade do processo. Mas a construção precisa começar antes, no alicerce certo. Nesse contexto, existe um ponto técnico que pouca gente considera com a devida atenção: a V6 e a OC6 não têm leme embutido. Isso muda tudo. As manobras nessas canoas acontecem pelo manejo do remo e sem o apoio de um sistema de direção por pedal.

E o controle não vem apenas do leme, mas principalmente do corpo, da remada, da leitura do ambiente e do ajuste fino de cada movimento. Se você não domina esses elementos sozinho, na individual, dificilmente vai dominá-los no coletivo. A diferença é que, no coletivo, o erro se dilui dentro do grupo; na individual, ele aparece de forma clara. E é justamente por isso que, na V1, a evolução acontece de maneira tão intensa.

Os melhores remadores não fogem da V1. Pelo contrário, eles entendem a canoa individual como uma ferramenta de construção, quase como um laboratório da própria técnica. Quando voltam para a OC6, já não dependem do time para performar. Assim, ao invés de serem “carregados” pela canoa, eles é que elevam o nível da embarcação e do grupo. A pergunta, então, é simples: você está treinando apenas para remar bem em grupo ou para se tornar um remador completo? Adianto que a resposta não está na OC6. Ela aparece quando você senta na V1 e vai para a água.

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