
Inscrições abertas para o 1º Festival de Va’a Adaptado
1º Festival de Va’a Adaptado será realizado em São Sebastião (SP), litoral norte de São Paulo, no dia 18 ... leia mais

Em uma decisão que pegou a comunidade da canoagem de surpresa, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) anunciou que não poderá mais chancelar o recém-criado Campeonato Brasileiro de OC1 (canoa havaiana individual), cuja primeira etapa estaria atrelada à Volta à Ilha da Gipóia, que acontecerá no início de maio, em Angra dos Reis (RJ).
A medida atende a um comunicado da Federação Internacional de Canoagem (ICF), que decidiu suspender a realização de todos os eventos oficiais da modalidade no mundo, acatando um pedido formal da Federação Internacional de Va’a (IVF). A suspensão global gerou um “efeito cascata” imediato, afetando todas as federações nacionais subordinadas à ICF, como é o caso da CBCa, que inclui a chancela da modalidade OC1 na copa do mundo de canoagem oceânica que será realizado durante o Molokabra 2026, no Ceará. Com isso, a divisão de Canoagem Oceânica da ICF (e suas entidades subordinadas) volta a incluir somente o surfski.
Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, que pediu para não ser identificada, a reivindicação da IVF pela tutela exclusiva da modalidade pode ter sido motivada por uma solicitação da Confederação Brasileira de Va’a – CBVA’A. A entidade brasileira estaria descontente com o anúncio de um campeonato nacional de OC1 sendo organizado por uma confederação concorrente e, entendendo haver um conflito de interesses, teria acionado a federação internacional de va’a pedindo apoio institucional.
O anúncio, contudo, não está sendo bem recebido por atletas de OC1 que sonhavam com uma carreira internacional, sobretudo por conta de um detalhe técnico crucial: os campeonatos mundiais organizados pela IVF não incluem a modalidade OC1. De acordo com uma segunda fonte consultada nos bastidores, a ICF optou por aceitar o pedido da IVF em nome de uma “boa relação política” entre as federações internacionais, mesmo ciente de que a IVF não promove mundiais da categoria.
A decisão afeta toda uma cadeia de eventos já estavam sendo planejados, incluindo o Brasil, que passaria a ter dois campeonatos nacionais de OC1 em 2026. Além disso, a suspensão cancela a aguardada estreia da modalidade na Copa do Mundo de Canoagem Oceânica da ICF, que incluiria uma etapa brasileira, durante o MolokaBRA, em Fortaleza, que passará a somar pontos somente para o surfski no ranking da ICF.
O primeiro impacto prático e imediato recaiu sobre a 4ª Volta à Ilha da Gipóia, marcada para os dias 2 e 3 de maio, em Angra dos Reis (RJ). A prova havia sido anunciada com grande expectativa como a etapa de estreia do novo Campeonato Brasileiro de OC1 da CBCa.
Em comunicado oficial divulgado nesta quinta (26), a organização do evento, liderada por Jorge Souza de Freitas (Bra Va’a Canoe Club), confirmou que foi notificada pela CBCa na véspera (25). O documento explica que, devido à reivindicação da IVF, os resultados da OC1 na prova não poderão ser reconhecidos oficialmente pela confederação de canoagem.
A organização garantiu que o evento acontecerá normalmente e que os resultados da OC1 serão apurados e divulgados de forma independente pela própria prova. No entanto, em respeito aos competidores, foi oferecida a opção de reembolso integral da inscrição para os atletas que se sentirem prejudicados pela perda da chancela nacional (leia o comunicado ao final da reportagem).
Para compreender o peso político dessa decisão, é preciso esclarecer o papel de cada organização no cenário esportivo: