
Onde assistir ao Brasileiro de Va’a
Campeonato Brasileiro de Va'a nas modalidades V1, V1R, V2R e V3 poderá ser acompanhado ao vivo no YouTube ... leia mais

Foi por acreditar nisso que procurei o Aloha Spirit Mídia. Não para falar de tecnologia ou para trazer fórmula pronta; nem para transformar o va’a em um assunto frio, empresarial ou distante da sua essência.
Procurei esse espaço porque, olhando para o momento que o va’a vive hoje no Brasil, me parece cada vez mais claro que esse universo já entrega muito mais do que treino — e talvez tenha chegado a hora de a gente olhar para isso com mais consciência. O va’a entrega:
Entrega uma forma diferente de estar com o corpo, com a cabeça e com as pessoas. E, no entanto, muitas vezes ainda olhamos para esse universo de um jeito pequeno demais diante do tamanho do valor que ele já gera.
Essa inquietação não vem de agora. Ao longo de muitos anos trabalhando com esporte, tive a oportunidade de ver de perto o amadurecimento de outros mercados esportivos no Brasil, especialmente o da corrida de rua. Vi um ambiente crescer, ganhar força, calendário, experiência, comunidade, marcas e relevância cultural. Hoje, dados recentes apontam que o país reúne cerca de 13 milhões de corredores ativos, e em 2025 a ABRACEO (Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor) registrou 5.241 corridas oficiais no Brasil.
Mas, para mim, o mais importante nunca foi só o tamanho dos números. Foi perceber como a corrida deixou de ser vista apenas como prova ou atividade física e passou a ser entendida como ecossistema. Um ambiente que movimenta pessoas, cidades, marcas, turismo, experiências, conteúdo, pertencimento e estilo de vida.
E talvez seja exatamente isso que me faz olhar para o va’a com tanta atenção. Não porque o va’a precise copiar o running. Não precisa. O va’a tem sua própria alma.
Mas porque enxergo aqui uma força muito grande que ainda pode ser melhor reconhecida, melhor cuidada e melhor construída. Porque, quando um esporte entende que não entrega só prática, mas também experiência, comunidade e identidade, ele começa a crescer de outro jeito. E acho que o va’a já está nesse ponto.

Na prática, o que um clube de va’a oferece? Se a resposta for apenas “treino”, talvez ela esteja curta demais. Um clube de va’a, muitas vezes, entrega uma das experiências mais completas que alguém pode viver no esporte.
Isso é muito. Talvez mais do que muitos clubes, organizadores e até praticantes consigam nomear no dia a dia. E quando um ecossistema não consegue enxergar com clareza o valor que entrega, ele também tem mais dificuldade de se fortalecer, de se organizar, de se comunicar melhor e de crescer com consistência.
Por isso essa conversa me parece importante. Não para “mercantilizar” o va’a ou tirar sua leveza e, muito menos, para enquadrar tudo em linguagem corporativa. Mas para ajudar o próprio ecossistema a reconhecer sua potência. Porque, se o va’a entrega tudo isso, talvez esteja na hora de começar a pensar com mais atenção em como fortalecer essa entrega.
Essa reflexão passa, na minha visão, principalmente pelos clubes, porque é ali que muita gente conhece o va’a pela primeira vez. É ali que se cria vínculo e o esporte deixa de ser curiosidade e passa a virar experiência. É o momento em que uma pessoa decide se quer apenas fazer uma aula ou se quer fazer parte de algo. Por isso, um clube não é só uma operação esportiva. É um ambiente de cultura. E isso se traduz na forma:
Tudo isso diz muito sobre o futuro que o esporte está construindo. Porque não basta colocar gente na água. É preciso entender o que se está construindo ao redor dessa experiência.
Um clube que percebe isso amplia seu valor. Não porque vira empresa no sentido frio da palavra.
Mas porque passa a cuidar melhor daquilo que já entrega. E isso muda muita coisa.
Esse talvez seja o ponto mais importante para mim. Sempre que aparece a ideia de organizar melhor, amadurecer ou estruturar mais um ambiente esportivo, muita gente interpreta isso como risco de perda de essência. Como se crescer significasse necessariamente ficar frio, burocrático ou descaracterizado. Eu não acredito nisso.
Acredito que o va’a não precisa virar outra coisa para crescer. Precisa apenas reconhecer melhor a força que já tem. Reconhecer que já entrega muito, que já transforma a vida de muita gente, movimenta a comunidade, cria vínculos profundos e oferece experiências que pouca coisa consegue oferecer. E, a partir disso, cuidar melhor do próprio crescimento.
Talvez eu pudesse só observar isso à distância, mas a verdade é que esse tema mexe comigo. Depois de tantos anos vendo o esporte amadurecer em outras frentes, tenho sentido cada vez mais que parte do meu propósito está em ajudar ecossistemas esportivos a reconhecerem sua força, organizarem melhor o próprio futuro e crescerem sem abrir mão da alma que os torna especiais.
No va’a, isso me toca de um jeito ainda mais bonito porque estamos falando de um universo que carrega algo raro. Algo que mistura esporte, natureza, cultura, comunidade e presença de um jeito muito próprio. E talvez justamente por isso ele mereça ser olhado com mais atenção.
Foi isso que me fez procurar o Aloha Spirit Mídia. A vontade de abrir uma conversa que, na minha visão, pode fazer bem para o presente e para o futuro do va’a. Não como quem chega com respostas prontas. Mas como alguém que acredita muito na força desse universo e sente que ele já entrega muito mais do que às vezes percebe.
Se conseguirmos enxergar isso com mais clareza, talvez o futuro do va’a no Brasil não dependa apenas de crescer em número, mas de crescer em consciência. E, para mim, esse é o tipo de crescimento que vale a pena.